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Flamengo: Fala de R$ 1 Bilhão de Bap explode preços e José Boto admite “pesadelo”

A ostentação financeira cobrou seu preço. A declaração do presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) de que o Flamengo teria capacidade para investir até R$ 1 bilhão em reforços voltou como um bumerangue e atingiu em cheio o departamento de futebol.

O diretor esportivo José Boto quebrou o silêncio e admitiu publicamente o efeito colateral desastroso da fala: o mercado inflacionou. Segundo o dirigente, negociar ficou mais caro e difícil, pois os clubes vendedores agora enxergam o Flamengo como um cofre sem fundo.

O “Efeito Robin Hood” no Flamengo: Tira do Rico

Boto foi direto ao ponto. A frase, dita em tom de demonstração de força, virou munição contra o próprio clube.

“Quando, do outro lado, ouvem esse tipo de coisa, as pedidas são maiores, especialmente aqui no Brasil” — desabafou o diretor.

A lógica é cruel: quando um vendedor sabe que o comprador tem R$ 1 bilhão no bolso, o preço do “pãozinho” triplica. Boto explicou que a narrativa de “caixa infinito” destrói a maior arma de negociação: a capacidade de chorar preço ou dizer “não” com credibilidade.

A “Taxa Flamengo”

O mercado da bola funciona na base da percepção. Mesmo que o Flamengo não vá gastar o bilhão inteiro agora, a simples menção do valor criou um ágio instantâneo.

Foto: Adriano Fontes – Flamengo
  • No Brasil: O efeito é imediato. Agentes e clubes que acompanham o noticiário recalibram comissões e valores de venda.
  • Lá fora: A fama de “novo rico” já atrapalha, mas internamente o estrago é maior pela repercussão diária.

Boto admitiu que isso trava a janela. O que antes seria uma negociação racional, agora vira leilão, pois o outro lado da mesa acredita que pode extrair milhões a mais.

Quem Manda (e Quem Atrapalha)

A situação expõe a dinâmica de poder na Gávea. Boto lembrou que, no fim das contas, a “caneta” para aprovar gastos grandes é do presidente. Ou seja, a fala não veio de um torcedor empolgado, mas do homem que assina os cheques. Isso dá um peso institucional ao boato que, na prática, vira “fato” para quem quer vender jogador ao Rubro-Negro.

O mercado da bola é um jogo de poker: quem mostra as cartas perde fichas. Quando o presidente anuncia que tem R$ 1 bilhão, a negociação muda antes mesmo do primeiro “oi”. O clube vendedor já senta na mesa pensando em extorsão, o agente dobra a comissão e o atleta pede luvas de xeque árabe.

José Boto está certo em reclamar. A ostentação de Bap pode ter sido boa para a política e para o ego institucional, mas foi terrível para a planilha. A lição para qualquer gigante é simples: o caixa pode ser astronômico, mas a mensagem pública tem que ser de “pobreza”. No futebol, quem diz que tem muito, paga o dobro.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.