O retorno de Lucas Paquetá ao Flamengo e a renovação de Kaio Jorge com o Cruzeiro criaram uma situação inusitada nos bastidores financeiros do futebol brasileiro. Pela matemática dos novos contratos, o meia da Seleção Brasileira e titular da Premier League deve ter um salário mensal inferior ao do atacante da Raposa. Essa inversão de valores expõe como o contexto de cada negociação pesa mais do que o valor de mercado “frio” dos atletas.
O Paradoxo em Números entre Cruzeiro e Flamengo
A disparidade começa no valor de mercado (Transfermarkt), onde a lógica é respeitada:
- Lucas Paquetá: Avaliado em € 35 milhões (R$ 217 milhões).
- Kaio Jorge: Avaliado em € 22 milhões (R$ 136 milhões).
Porém, na folha de pagamento, a lógica se inverte devido aos movimentos recentes:
- O “Teto” de Paquetá: Para voltar ao Flamengo, Paquetá aceitou uma redução drástica em relação ao que ganhava na Inglaterra (cerca de R$ 4,6 milhões/mês). No Rio, seu pacote mensal deve ficar na casa de R$ 1,8 milhão a R$ 2 milhões, respeitando o teto do clube para não implodir o vestiário.
- A “Inflação” de Kaio Jorge: Para segurar Kaio Jorge e blindá-lo do assédio do próprio Flamengo (que ofereceu dobrar seu salário), o Cruzeiro precisou inflacionar os vencimentos do atacante. Especula-se no mercado que o novo pacote de renovação da Raposa, somando luvas e direitos, supere a barreira de R$ 2,2 milhões mensais para convencer o atleta a ficar.
Por que isso acontece? (Paixão x Retenção)
A explicação está na motivação de cada negócio.
- Paquetá (Movimento de Paixão): O meia quis voltar. Ele abriu mão de dinheiro para recuperar a alegria de jogar e estar perto da família no Rio. O Flamengo usou isso a seu favor para pagar “menos” do que ele vale na Europa.
- Kaio Jorge (Movimento de Retenção): O Cruzeiro foi obrigado a pagar mais do que o valor de mercado para não perder seu principal ativo para um rival direto. O salário não reflete apenas o futebol jogado, mas o “custo de não reforçar o Flamengo”.
Análise Moon BH: O Preço do “Não”
O futebol brasileiro vive uma era onde dizer “não” custa mais caro do que contratar. O Cruzeiro, para provar força e não vender Kaio Jorge, precisou transformá-lo em um dos maiores salários do país, superando até um astro de Premier League como Paquetá.
Para o Flamengo, é o cenário dos sonhos: traz um jogador tecnicamente superior (Paquetá) pagando menos, justamente porque o jogador facilitou. Já para o Cruzeiro, fica o risco: Kaio Jorge agora carrega no contracheque a responsabilidade de entregar desempenho de “nível Seleção”, mesmo sem ter (ainda) o currículo de um Paquetá. É a inflação da rivalidade distorcendo a régua do mercado.