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Flamengo tem cofre cheio, mas risco de virar “PSG brasileiro” assombra a Gávea

O Flamengo de 2026 é uma potência financeira sem precedentes na América do Sul. Com uma receita de R$ 2,071 bilhões em 2025 e o presidente Bap afirmando que pode gastar R$ 1 bilhão em reforços se necessário, o clube carioca atingiu o patamar que sempre sonhou. Mas, paradoxalmente, é no auge da riqueza que mora o maior perigo: a crise de identidade.

Nos bastidores e nas arquibancadas, cresce um temor silencioso: o Flamengo estaria se transformando em um “PSG Brasileiro”? A comparação não é elogio. Refere-se a um modelo de clube que empilha estrelas, inflaciona o mercado e trata o torcedor como consumidor, mas que, na hora da decisão, perde a conexão visceral que ganha jogos.

A “Síndrome do Relógio de Ouro” no Flamengo

O diretor José Boto usou uma metáfora brilhante para descrever o momento: o clube precisa decidir se compra “sapatos” (necessidade) ou “relógios” (luxo).

  • O Relógio: A proposta de € 40 milhões (R$ 249 milhões) por Lucas Paquetá. É uma contratação de impacto global, de vitrine, que grita “nós somos ricos”.
  • O Sapato: A necessidade urgente de zagueiros e laterais para compor elenco. É o básico que não vende camisa, mas ganha campeonato. Quando o dinheiro sobra, a tentação de montar um álbum de figurinhas (como o PSG fez com Messi, Neymar e Mbappé) é enorme. O problema é que, muitas vezes, isso cria um time de “22 titulares” sem hierarquia e sem fome.

O “Alerta PSG”: Torcedor ou Cliente?

O modelo PSG falhou na Europa não por falta de dinheiro, mas por excesso de “plástico”. O estádio virou ponto turístico, a arquibancada foi gentrificada e o time perdeu a alma. O Flamengo corre risco similar se começar a usar o Maracanã apenas como palco de entretenimento premium. A força do Rubro-Negro na Libertadores nunca foi apenas o saldo bancário; foi a pressão sufocante da Nação. Se o clube começar a contratar para “parecer global” e esquecer de “ser Flamengo”, o Maracanã vira teatro, e teatro não ganha do Peñarol ou do River Plate na raça.

A Identidade Sul-Americana

Foto: Divulgação Flamengo / Flickr

Ser bilionário na América do Sul exige sabedoria. O Flamengo venceu nos últimos anos porque teve dinheiro, sim, mas porque usou esse dinheiro para trazer jogadores com DNA de Libertadores.

  • O Exemplo Arrascaeta: Ele é craque, mas também é competitivo, entende o jogo físico e não se esconde.
  • O Risco: Trocar esse perfil por jogadores que vêm apenas pelo salário astronômico ou para usar o clube de trampolim.

As 3 Armadilhas de 2026

Para não cair no conto do “novo rico”, o Flamengo precisa desviar de três buracos:

  1. Obsessão pelo Top 15 Global: Querer ser grande mundialmente é legítimo, mas não pode ser a única diretriz. O foco deve ser dominar a América, não impressionar a Europa.
  2. O Mercado como Reality Show: Transformar cada janela numa novela midiática (como no caso Paquetá) gera engajamento, mas também gera ansiedade e frustração se o resultado em campo não for imediato.
  3. Esquecer a “Fome”: Time rico demais tende a ficar confortável. O Flamengo precisa de jogadores que, mesmo milionários, odeiem perder par ou ímpar.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de futebol, com foco em Atlético, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo há mais de 10 anos.