A transferência de Michael para o Santos, que parecia encaminhada nas últimas horas, esbarrou em um obstáculo financeiro que vai além das quatro linhas. O atacante já disse “sim” ao projeto do Peixe e alinhou as bases salariais para uma mudança definitiva, mas se recusa a assinar a rescisão com o Flamengo antes de receber o que lhe é de direito.
O “Robozinho” cobra uma dívida de R$ 2 milhões referente a luvas (bônus de assinatura) pendentes. O clube carioca, por sua vez, tenta negociar essa pendência dentro do pacote de saída, mas encontrou resistência do atleta, que não abre mão de receber o valor integral antes de deixar a Gávea. O impasse transformou uma negociação técnica em uma queda de braço contábil.
O cenário é de travamento burocrático. O Flamengo tem pressa em liberar o jogador, que não faz parte dos planos principais para a temporada 2026 e possui um custo mensal elevadíssimo. No entanto, a diretoria rubro-negra reluta em desembolsar os R$ 2 milhões à vista apenas para “se livrar” do ativo, buscando formas de parcelamento ou composição.
Michael, ciente de que seu contrato vai até o fim de 2028 e lhe garante segurança financeira, joga com o regulamento debaixo do braço: ou pagam o atrasado, ou ele não assina a liberação para o Santos.
O Peso da Folha: Salário de R$ 2 Milhões
Para o Flamengo, resolver a questão dos R$ 2 milhões das luvas é, ironicamente, uma forma de economizar muito mais. Michael possui um dos maiores salários do elenco.

- O Custo Mensal: Estima-se que os vencimentos do atacante girem em torno de R$ 2 milhões por mês (incluindo imagem e luvas diluídas).
- A Economia: Se ele ficar até o fim do contrato (2028) sem jogar, o prejuízo será astronômico. Pagar a dívida agora e liberá-lo para o Santos significa “estancar a sangria” de uma folha salarial inchada. Para o Santos, a conta também é apertada. O clube da Vila Belmiro aceitou o desafio de pagar um salário alto (readequado à sua realidade, mas ainda significativo), mas não tem caixa para assumir a dívida antiga do Flamengo.
A Postura do Santos: Espera e Oportunidade
O Santos vive a situação de “observador interessado”. A diretoria alvinegra conseguiu o mais difícil: convencer Michael a trocar o Rio de Janeiro pela Vila Belmiro e aceitar um projeto onde ele será protagonista.
O acordo entre Santos e Michael está praticamente selado para uma transferência em definitivo. Porém, o Peixe não pode interferir na dívida pregressa entre o jogador e seu atual clube. A estratégia santista é aguardar que o Flamengo, pressionado pela necessidade de reduzir a folha, ceda e pague o que deve, liberando o caminho para o anúncio.