O Flamengo voltou o seu radar para o mercado doméstico em busca de um meio-campista, mas encontrou uma barreira financeira quase intransponível no Morumbi. Ao sondar a situação de Marcos Antônio, titular do São Paulo, o Rubro-Negro ouviu uma pedida que soou como um aviso de “não vendemos para rivais”: o Tricolor quer receber 8 milhões de euros (cerca de R$ 49,9 milhões) livres e, de quebra, exige que o Flamengo assuma as parcelas restantes da compra do atleta junto à Lazio, avaliadas em 4,2 milhões de euros (R$ 26,3 milhões).
Somando as duas pontas, a operação totalizaria mais de R$ 76 milhões, valores que colocam o negócio em patamar europeu e travam qualquer avanço imediato.
A postura rígida do São Paulo tem explicação contratual e estratégica. Marcos Antônio chegou por empréstimo, mas o clube paulista exerceu a cláusula de compra obrigatória prevista no contrato, tornando-se dono dos direitos econômicos (a Lazio manteve 20% de mais-valia).
Portanto, a diretoria tricolor não está apenas repassando um contrato; está negociando um ativo próprio e titular, que fez 43 jogos em 2025, e não aceita liberá-lo para um concorrente direto sem obter um lucro financeiro expressivo e se livrar da dívida com os italianos.
A “Troca” Frustrada de Marcos Antônio por Allan no Flamengo
A tentativa do Flamengo não foi apenas com dinheiro; envolveu também uma peça de troca. O Rubro-Negro tentou colocar o volante Allan na mesa de negociação, sabendo do interesse antigo do São Paulo no atleta. No entanto, o Tricolor recusou o modelo de negócio sugerido.
- O que o Flamengo queria: Usar Allan para abater o valor e levar Marcos Antônio.
- O que o São Paulo quer: O Tricolor aceita Allan, mas por empréstimo ou em negociação separada, sem envolver a saída do seu meio-campista titular. Para o clube do Morumbi, Marcos Antônio é peça-chave na rotação do time, oferecendo dinâmica e passe vertical, enquanto Allan chegaria para recuperar espaço. A troca “elas por elas” ou com compensação baixa foi descartada de imediato.
Análise Moon BH: Fronteira de Poder

Essa negociação é menos sobre o jogador Marcos Antônio e mais sobre hierarquia de mercado. O São Paulo está dizendo ao Flamengo: “Você tem dinheiro, mas aqui você não compra fácil”. Ao pedir um pacote de R$ 76 milhões, o Tricolor impõe uma “taxa de rivalidade”.
Se fosse um clube europeu comprando, talvez a conversa fosse diferente. Mas para reforçar um rival direto, o preço tem que ser irrecusável. O Flamengo, acostumado a ditar as regras financeiras no Brasil, agora prova do próprio veneno: encontrar um clube organizado que não precisa vender barato para fechar as contas. Ou o Fla abre o cofre de verdade, ou terá que buscar seu meio-campista em outro lugar.