O Flamengo está prestes a concretizar a saída de uma de suas principais lideranças da base. A diretoria rubro-negra avançou nas negociações para vender o zagueiro Iago, de 20 anos, ao Orlando City, dos Estados Unidos. A proposta chegou à Gávea na última semana e a operação entrou em estágio decisivo, aguardando apenas o retorno do presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) de viagem para uma reunião final com o diretor executivo José Boto.
A pressa e a mudança de postura do clube têm uma motivação contratual clara: com vínculo se encerrando no fim deste ano, o “Capitão do Intercontinental Sub-20” poderia assinar um pré-contrato com qualquer equipe a partir de julho, saindo de graça. Para evitar repetir casos recentes de perda de ativos sem retorno financeiro, o Flamengo decidiu que vender agora é a melhor estratégia.
O cenário atual contrasta drasticamente com a postura adotada em agosto de 2025. Naquela ocasião, o Bahia colocou na mesa uma oferta de € 2 milhões (cerca de R$ 12,8 milhões) mais 20% de uma futura venda pelo zagueiro.
O Flamengo recusou prontamente, apostando na valorização e utilização do atleta. No entanto, seis meses se passaram, a renovação não aconteceu e o espaço no time principal encolheu — especialmente após a contratação de Vitão —, transformando a “joia inegociável” em uma “oportunidade de mercado” necessária para o caixa.
Capitão na Base do Flamengo, Sem Espaço no Profissional

A trajetória de Iago no Ninho do Urubu é vitoriosa, mas encontrou um teto no elenco profissional. Capitão nas conquistas da Libertadores e do Mundial Sub-20, ele provou ter liderança e técnica. Porém, a transição para o time de cima não fluiu como esperado. O impasse se desenhou por três fatores:
A Rota Alternativa da MLS
Se antes o sonho era direto para a Europa — clubes como Everton e Brentford chegaram a monitorar o atleta —, a MLS surge como o destino pragmático. O Orlando City, que tem histórico de apostar em jovens brasileiros (como fez recentemente com Tiago Souza), oferece ao Flamengo uma saída honrosa e lucrativa.
O Preço do Timing
O valor exato da proposta do Orlando City ainda é mantido sob sigilo, mas o mercado usa a recusa dos € 2 milhões de 2025 como régua. É provável que o Flamengo aceite um valor nessa faixa ou até ligeiramente inferior, dada a urgência contratual.
A lógica mudou: antes, o clube vendia potencial; hoje, vende a liberação antecipada de um atleta que, em cinco meses, estaria livre para assinar com quem quisesse. A diretoria de Bap e José Boto parece disposta a fazer o “negócio possível” em vez de arriscar ficar sem nada, mostrando uma frieza de mercado que prioriza o ativo financeiro sobre a aposta técnica incerta.