O Flamengo vive um daqueles raros momentos em que as duas pontas do mercado se encontram para fortalecer um projeto hegemónico. De um lado, o clube carioca pode obter um lucro inesperado com João Gomes, “cria do Ninho” que voltou a ser alvo de disputa na elite europeia; do outro, a direção tenta dar um passo de “clube-império” ao planear o repatriamento de Lucas Paquetá, atualmente no West Ham, numa operação que pode atingir os € 40 milhões (cerca de R$ 250 milhões).
O roteiro é conhecido na Gávea: vender bem, manter participação futura e transformar o ex-jogador em receita recorrente, utilizando essa força financeira para trazer nomes que vendem camisolas e personificam o projeto. Tudo isto sob o pano de fundo de uma afirmação que ecoa no mercado: o presidente Luiz Eduardo Baptista (Bap) garantiu que o Flamengo tem condições de gastar R$ 1 bilhão em reforços em 2026, se necessário.
O cenário envolve uma engenharia financeira precisa. João Gomes, vendido ao Wolverhampton em 2023, despertou o interesse de clubes como o Atlético de Madrid e o Napoli. Como o Flamengo manteve 10% dos direitos económicos numa futura venda, qualquer transferência robusta do médio na Premier League ativa um “gatilho” de receita imediata para os cofres brasileiros, somando-se ainda ao mecanismo de solidariedade da FIFA.
É este tipo de “receita invisível” que permite ao Flamengo sonhar com operações complexas como a de Paquetá, onde o clube admite pagar valores astronómicos, mas enfrenta a resistência do West Ham, que tenta impor um empréstimo de retorno até ao fim da época europeia.
A “Mina de Ouro” do Flamengo Chamada João Gomes

Quando negociou João Gomes com os Wolves por € 18,7 milhões, o Flamengo deixou uma “trava” de lucro futuro estratégica. Agora, com o médio valorizado e titular absoluto na Inglaterra (soma 113 jogos), o clube carioca esfrega as mãos.
- O Gatilho: Se o Wolverhampton vender o jogador, o Flamengo recebe automaticamente 10% do valor total da transferência. Pode chegar a R$ 30 milhões.
- O Extra: Como clube formador, o Rubro-Negro ainda tem direito a uma fatia do mecanismo de solidariedade. Numa hipotética venda de 40 milhões de libras, o Flamengo poderia embolsar cerca de 4 milhões de libras apenas pela sua percentagem, sem precisar de mover um dedo. É dinheiro “limpo” que entra diretamente para o orçamento de contratações.
O Dilema Paquetá: € 40 Milhões e a Condição Inglesa

Do outro lado, a “novela” Paquetá mistura desejo desportivo e complexidade negocial. O jogador já se reuniu com o treinador do West Ham, Nuno Espírito Santo, e manifestou o desejo de regressar ao Rio de Janeiro. No entanto, o clube inglês joga duro:
- A Pedida: O West Ham sinalizou inicialmente com € 60 milhões, mas o Flamengo esticou a corda até aos € 40 milhões.
- A Condição: Os ingleses aceitam vender, mas querem que Paquetá fique emprestado em Londres até junho para ajudar na luta contra a despromoção na Premier League. O Flamengo resiste a essa ideia, pois deseja o atleta de imediato para o início da época no Brasil. Nuno Espírito Santo, publicamente, tratou o brasileiro como um dos melhores do plantel e cobrou uma definição rápida, admitindo que a situação precisa de ser resolvida.