Enquanto o mercado brasileiro discute os valores astronômicos da volta de Gerson ao país em 2026 (desta vez para o Cruzeiro), o Flamengo observa os números com a satisfação de quem fez o “negócio perfeito” — duas vezes. Um levantamento detalhado das operações de compra e venda envolvendo o “Coringa” mostra que o clube carioca executou uma engenharia financeira rara no futebol.
Considerando apenas as taxas de transferência (sem contar salários e luvas), o Rubro-Negro lucrou cerca de € 23 milhões (aproximadamente R$ 145 milhões na cotação atual) com o meio-campista. A conta fecha com saldo positivo graças a dois ciclos de valorização e uma saída estratégica para o Zenit em 2025.
A matemática é favorável porque o Flamengo soube comprar na baixa e vender na alta em ambas as passagens. O ápice dessa gestão de ativo ocorreu em meados de 2025, quando o Zenit não quis negociar e pagou a multa rescisória de € 25 milhões à vista para levar o jogador. Esse movimento garantiu que o Flamengo recebesse o valor cheio, sem descontos, consolidando Gerson não apenas como ídolo técnico, mas como o ativo financeiro mais eficiente da gestão recente.
Ciclo 1 no Flamengo: Da Roma ao Olympique (€ 13,2 mi de Lucro)
A primeira passagem de Gerson foi o “case” inicial de sucesso.
- Compra (2019): O Flamengo pagou € 11,8 milhões à Roma.
- Venda (2021): Negociou com o Olympique de Marseille por cerca de € 25 milhões (mais bônus). Nesta primeira operação, o lucro bruto de balcão foi de aproximadamente € 13,2 milhões. Além disso, o contrato previa gatilhos de performance (como classificação para a Champions League) que renderam ainda mais dinheiro aos cofres da Gávea posteriormente, maximizando o retorno sobre o investimento inicial.
Ciclo 2: Recompra e Venda ao Zenit (€ 10 mi de Lucro)

O “pulo do gato” veio no retorno. Em 2023, o Flamengo recomprou Gerson por € 15 milhões fixos (mais € 1 milhão em bônus). Dois anos depois, em julho de 2025, o Zenit pagou a multa de € 25 milhões. Neste segundo ciclo, o lucro bruto foi de € 10 milhões. Somando os dois períodos (€ 13,2 mi + € 10 mi), chega-se ao montante de € 23,2 milhões.
Mas há um detalhe que torna o negócio ainda melhor: na recompra de 2023, o Olympique ainda devia cerca de € 6,5 milhões ao Flamengo referente à primeira venda. Na prática, o Flamengo desembolsou apenas cerca de € 8,5 milhões de “dinheiro novo” para ter o jogador de volta, facilitando o fluxo de caixa para uma operação que terminaria em nova venda milionária.
Análise Moon BH: Aula de Gestão
O Flamengo operou Gerson como um banco de investimentos opera uma ação de alta performance. Comprou, valorizou, vendeu. Viu o ativo cair de preço na Europa, recomprou barato (usando crédito próprio) e vendeu caro de novo. Lucrar € 23 milhões com o mesmo jogador é algo que poucos clubes no mundo conseguem.
Isso explica por que o Flamengo tem fôlego para errar em outras contratações: os acertos são gigantescos. Enquanto rivais lutam para vender uma joia da base por € 15 milhões, o Flamengo fez € 23 milhões de lucro apenas girando um jogador pronto. É esse tipo de “gordura” que mantém o clube em outro patamar financeiro.