O ciclo de Matías Viña no Flamengo foi interrompido, e o destino é o River Plate. O clube carioca acertou o empréstimo do lateral-esquerdo uruguaio para o gigante argentino, encerrando uma novela de mercado que envolvia a superlotação do setor no Ninho do Urubu. A operação foi fechada com compensação financeira imediata: o River pagará US$ 500 mil (cerca de R$ 2,7 milhões) pela cessão temporária de um ano. No entanto, o foco do negócio está no futuro: uma cláusula de compra fixada que pode render milhões aos cofres rubro-negros em 2027.
A documentação já circula entre os departamentos jurídicos e Viña é aguardado em Buenos Aires para exames e assinatura. O acordo estipula um valor de compra de US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 27 milhões).
A grande chave do contrato é um “gatilho” de performance: se o jogador atingir uma meta de participação estipulada em 50% (jogos ou minutos) ao longo da temporada, o River Plate terá o caminho pavimentado — em alguns cenários tratado como obrigação — para adquirir o atleta em definitivo.
O “Gatilho” de 50% no Flamengo: A aposta na titularidade
A cláusula de 50% é a segurança do Flamengo de que o jogador não está indo apenas para “passear” na Argentina. O modelo de negócio foi desenhado para transformar o empréstimo em venda, desde que Viña jogue.
A meta de participação é o divisor de águas: se ele for titular ou peça frequente no time de Marcelo Gallardo, o Flamengo garante a venda. Isso resolve dois problemas: coloca o ativo na vitrine e cria uma obrigação financeira para o River, evitando que o jogador retorne ao Rio desvalorizado em 2027.
De Investimento Recorde a 3ª Opção: Por que o Fla liberou?

A saída de Viña é, acima de tudo, uma questão de gestão de danos e elenco. O uruguaio, que custou € 8 milhões (R$ 42,8 milhões) ao sair da Roma em 2024, viu seu espaço desaparecer. Com a recuperação de lesões graves (LCA e tíbia) e a chegada de Alex Sandro, Viña virou a terceira opção, atrás também de Ayrton Lucas.
O calvário físico do atleta, que só conseguiu retornar em junho de 2025 e somou míseros 343 minutos em 10 jogos. Manter um jogador desse custo e potencial no banco (ou fora dele) era um luxo que o Flamengo decidiu não bancar, optando por “reprecificar” o ativo no mercado sul-americano.
Análise Moon BH: Gestão de Danos (com Deságio)
Financeiramente, o Flamengo está assumindo um prejuízo contábil. Comprou por € 8 milhões (R$ 42 mi) e fixou a venda em US$ 5 milhões (R$ 27 mi). É um deságio claro. Porém, na gestão de futebol, é um movimento inteligente. Viña não jogaria no Flamengo em 2026 com Alex Sandro e Ayrton Lucas no elenco. Seu valor de mercado tenderia a zero ficando na arquibancada.
Ao emprestar com meta de compra, o Flamengo tenta recuperar cerca de 60% do investimento e se livra de um salário alto. É melhor perder “um pouco” agora e girar o ativo do que perder tudo segurando um jogador insatisfeito. Se ele jogar 50% dos jogos no River, o Flamengo “salva” a operação financeira possível.