O ciclo de Matías Viña no Flamengo parece estar chegando ao fim, pelo menos momentaneamente. O River Plate avançou nas negociações para levar o lateral-esquerdo uruguaio de volta ao futebol argentino. A diretoria rubro-negra, que investiu pesado na contratação do atleta em 2024, já trata a saída como o caminho mais provável nesta janela de transferências.
O motivo é puramente técnico e hierárquico: Viña perdeu espaço drasticamente e iniciou 2026 como a terceira alternativa para a posição, atrás do titular Alex Sandro e do reserva imediato Ayrton Lucas.
Segundo o ge, o River Plate fez uma consulta inicial propondo um empréstimo com opção de compra, mas o Flamengo endureceu o jogo. A negociação evoluiu para um modelo de empréstimo de um ano com obrigação de compra condicionada a metas.
Isso significa que, se Viña atingir determinados objetivos (como número de jogos), o clube argentino será obrigado a adquiri-lo em definitivo, garantindo ao Flamengo o retorno financeiro de um ativo que custou caro.
A Hierarquia de Filipe Luís: Por que Viña sobrou no elenco
A situação de Viña se tornou insustentável esportivamente. Com a chegada de Alex Sandro e a presença física de Ayrton Lucas, o uruguaio viu seus minutos desaparecerem. Em 2025, ele disputou apenas dez jogos oficiais, prejudicado por lesões e pela concorrência.
O técnico Filipe Luís e a diretoria deram sinal verde para a negociação, entendendo que manter um jogador desse nível (e custo) como terceira opção é um desperdício de recursos. O próprio jogador, visando a Copa do Mundo, vê com bons olhos a mudança para ter a minutagem que o Flamengo não pode oferecer hoje.
O “Gatilho” de Compra: Flamengo tenta proteger investimento de R$ 48 milhões

A engenharia do negócio passa por proteger o cofre. O Flamengo pagou cerca de € 8 milhões (mais bônus que poderiam chegar a € 9 milhões) para tirar Viña da Europa em 2024. Na cotação da época, o investimento rondava os R$ 48 milhões. Para não assumir o prejuízo de uma venda em baixa agora, o clube aposta no modelo de metas.
- O Plano: Emprestar para ele valorizar no River e, via contrato, garantir a venda futura.
- A Concorrência: O interesse do Beşiktaş (Turquia) também está na mesa, o que ajuda o Flamengo a pressionar o River Plate a aceitar as cláusulas de compra obrigatória para não perder o reforço.
Análise Moon BH: Gestão de Danos
O Flamengo está fazendo o movimento correto de “gestão de danos”. Manter Matías Viña — um jogador de seleção e custo europeu — como terceira opção na lateral esquerda é queimar dinheiro. O modelo de empréstimo com obrigação de compra é a saída inteligente: o Flamengo tira o salário da folha agora, coloca o jogador na vitrine de um gigante argentino e cria um mecanismo para recuperar o investimento lá na frente.
Se Viña ficar no banco do Maracanã em 2026, seu valor de mercado vai a zero. No River, ele tem chance de jogar, ir para a Copa e virar dinheiro no caixa rubro-negro. É melhor assumir que o encaixe não aconteceu e girar o ativo do que insistir no erro.