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Textor coloca R$ 128 mi na mesa e faz uma exigência ao Botafogo

John Textor colocou mais dinheiro na mesa e, ao mesmo tempo, elevou o tom político no Botafogo. Em carta-proposta enviada ao clube social, o empresário ofereceu um aporte imediato de US$ 25 milhões (cerca de R$ 128,5 milhões), com recursos próprios, para reforçar a liquidez da SAF e aliviar a crise recente. O movimento não aparece apenas como reforço de caixa — ele surge em meio ao conflito aberto com o associativo e à disputa de narrativa sobre quem, de fato, está protegendo o futuro do clube.

O desenho da proposta diz mais do que o valor

O aporte seria somado a uma contribuição anterior de US$ 25 milhões ligada à GDA Luma e à Hutton Capital, levando a capitalização total prometida para US$ 50 milhões (cerca de R$ 257 milhões). No texto divulgado, Textor trata o investimento como condição para uma “trégua” e pede autorização do clube social para a entrada do dinheiro novo na SAF. Em outras palavras, o dono da operação tenta transformar capital em argumento político.

O conflito que deu tamanho à cartada

O Botafogo social vem questionando a condução financeira da SAF e a falta de transparência em torno da estrutura da Eagle Football, especialmente no litígio envolvendo a Ares, principal credora da holding de Textor. A alegação do associativo é que empréstimos com juros altos podem ter sido usados para redesenhar a posição do Botafogo dentro do grupo.

Ao mesmo tempo, o americano tenta vender a imagem de que o problema central está fora do Rio. O clube anunciou que acionou o Olympique Lyonnais na Justiça e cobra uma dívida superior a R$ 745 milhões — valor que, segundo nota oficial, seria fundamental para o fortalecimento do projeto esportivo e para resguardar o patrimônio do clube.

O transfer ban que pesa no histórico

Jhon Textor segura bandeira do Botafogo em avião
Foto: Vítor Silva/Botafogo

O aporte prometido também tenta responder ao desgaste recente. O Botafogo só conseguiu derrubar o transfer ban ligado à dívida pela contratação de Thiago Almada depois que Textor confirmou a chegada de novo dinheiro e a quitação da pendência com a MLS. O novo cheque, portanto, não é apresentado só como investimento — aparece como prova de capacidade operacional num momento em que a credibilidade da gestão está em xeque.

Dinheiro que mira o poder, não só o caixa

No olhar de negócio, a promessa de Textor vale menos como gesto de generosidade e mais como tentativa de retomar a iniciativa. O empresário precisa provar três coisas ao mesmo tempo: que ainda consegue capitalizar a SAF, que pode manter o fluxo esportivo vivo e que o associativo teria mais a perder do que a ganhar se bloquear a operação.

O dinheiro ajuda o caixa. A mensagem mira o poder.

Próximo compromisso em campo

O Botafogo estreia na Sul-Americana na quinta-feira, 9 de abril, às 19h, contra o Caracas, no Nilton Santos, com transmissão de ESPN e Disney+.

A partida chega em um ambiente que vai além da bola: enquanto Franclim tenta começar seu trabalho em campo, Textor tenta provar, no financeiro e no político, que ainda tem controle da operação.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.