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Botafogo esbarra em salário europeu e perde Lucas Fasson; como Anselmi vai montar a zaga

No apagar das luzes da janela internacional de transferências, que se encerra nesta terça-feira (3), o Botafogo encarou a dura realidade financeira do mercado europeu. A investida alvinegra para repatriar o zagueiro Lucas Fasson, atualmente no Lokomotiv Moscou, não avançou. O recuo nas negociações pelo atleta de 24 anos expõe a dificuldade do clube em preencher lacunas urgentes e obriga o técnico Martín Anselmi a repensar a montagem do setor defensivo.

A barreira do salário e o peso dos R$ 15 milhões

Revelado no Brasil e vendido ao futebol russo por cerca de R$ 15 milhões após se destacar no Athletico-PR, Fasson se tornou um alvo natural no mercado pela sua juventude e por ser um defensor canhoto — artigo de luxo na Série A. Com contrato válido até junho de 2026 na Rússia, onde já soma 18 jogos e duas assistências nesta temporada, a diretoria carioca tentou uma cartada estratégica: costurar um pré-contrato.

O grande entrave, no entanto, foi o abismo cambial. Os valores oferecidos pelo Botafogo ficaram consideravelmente abaixo do que o jogador recebe em Moscou. Sem o apelo financeiro e com o zagueiro discutindo alternativas no próprio mercado europeu, o estafe do atleta não se empolgou com a repatriação.

O relógio fechou: A prancheta de Anselmi e o plano B

Foto: reprodução

Com o fechamento da janela internacional hoje, o Botafogo perde a rota de importação. A janela complementar doméstica (aberta de 4 a 27 de março) limita o clube a buscar peças que estejam disputando os campeonatos estaduais. Enquanto o mercado não entrega o nome ideal, Martín Anselmi faz mágica na prancheta. O treinador vem adotando improvisações extremas, incluindo variações para uma linha de três defensores, tentando mascarar um elenco defensivamente enxuto e castigado por lesões.

O preço do improviso

A tentativa frustrada por Lucas Fasson escancara o “novo normal” do mercado da bola. Mesmo atuando em ligas periféricas da Europa, repatriar um jovem valor exige um pacote salarial que frequentemente rompe o teto dos clubes brasileiros. O Botafogo sabe exatamente o perfil que deseja, mas esbarrou no calendário e no cofre.

Se a diretoria não encontrar uma solução caseira e criativa na janela doméstica, a temporada alvinegra será um perigoso exercício de improviso. E como a história recente do futebol sul-americano ensina, disputar um calendário insano de Brasileirão e Libertadores improvisando peças na zaga é uma fatura que costuma cobrar juros altíssimos.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.