O Botafogo iniciou as conversas para garantir a permanência de seus líderes, mas encontrou um obstáculo financeiro de peso na negociação com Alex Telles. O lateral-esquerdo, titular absoluto e referência técnica, pediu uma valorização salarial que coloca seus vencimentos mensais acima de R$ 1,7 milhão. O valor, revelado pela ESPN, acendeu o sinal de alerta na diretoria alvinegra.
A questão que paira em General Severiano não é sobre a qualidade do jogador, mas sobre a sustentabilidade da folha: vale a pena pagar mais de R$ 20 milhões por ano a um lateral de 33 anos?
A pressa do Botafogo tem motivo. O contrato de Telles vai até dezembro de 2026. Se não houver renovação agora, a partir de julho do ano que vem ele poderá assinar pré-contrato com qualquer clube e sair de graça. O clube quer evitar esse cenário, mas não a qualquer preço.
O Peso do “R$ 1,7 Milhão” no Botafogo
Para entender o impasse, é preciso olhar para a hierarquia do elenco. R$ 1,7 milhão já é um salário de elite no futebol brasileiro, reservado para artilheiros ou meias que decidem campeonatos.
- O Risco: Se o Botafogo aceitar pagar, digamos, R$ 2 milhões mensais a Telles, cria um novo “teto”. Imediatamente, outros líderes (como o zagueiro Barboza, que também negocia renovação e pede equiparação) terão argumentos para exigir aumentos similares. É o temido “efeito dominó” que inflaciona a folha sem trazer reforços novos.
O Argumento do “Vale a Pena”

Alex Telles tem trunfos fortes na mesa de negociação:
- Bola Parada: Ele é o dono das bolas paradas e batedor oficial de pênaltis, uma arma letal em jogos truncados.
- Números: Com 5 gols e 4 assistências na temporada recente, ele entrega produção ofensiva real.
- Liderança: Sua experiência internacional (Seleção, Porto, United, Al-Nassr) “organiza” o vestiário. Repor um lateral desse nível no mercado custaria caro em taxa de transferência, talvez mais do que o aumento salarial.
O Argumento do “Não Vale”
Por outro lado, a gestão da SAF precisa ser fria:
- Idade: Aos 33 anos, Telles não é um ativo de revenda. O dinheiro investido nele é “a fundo perdido” em troca de performance imediata.
- Valor de Mercado: O Transfermarkt o avalia em € 3 milhões. Pagar R$ 24 milhões anuais de salário para um ativo de valor de mercado declinante é uma operação financeira arriscada.