O Botafogo ativou seu departamento de inteligência para tentar uma contratação que simboliza a nova fase do clube no mercado internacional. O Alvinegro abriu negociações com o Wolverhampton, da Inglaterra, para contar com o atacante paraguaio Enso González, de 20 anos. A operação desenhada é um empréstimo com opção de compra, visando um ativo que custou caro na origem — o Libertad o vendeu por € 6 milhões (cerca de R$ 37 milhões na cotação atual) em 2023 — mas que hoje busca minutos fora da ultra-competitiva Premier League.
A movimentação indica que o Glorioso não está apenas atrás de “nomes”, mas sim garimpando talentos no ecossistema das grandes ligas, buscando jogadores jovens com curva de valorização ascendente e salários ajustáveis à realidade brasileira.
A busca por Enso atende a critérios específicos do scout alvinegro. O jogador é canhoto, atua preferencialmente pela ponta esquerda (cortando para dentro) e foi descrito por jornalistas paraguaios como veloz, driblador e agressivo no ataque à área.
No entanto, o perfil traçado também traz alertas: o jovem é considerado temperamental e ainda precisa evoluir taticamente na recomposição defensiva, características comuns em talentos brutos que precisam de “lapidação” final — exatamente o papel que o Botafogo quer assumir para transformar a aposta em lucro técnico e financeiro.
O Relatório Inglês: “Elétrico” e Aéreo
O interesse do Botafogo valida um processo de triagem rigoroso já feito pelos ingleses. Quando o Wolverhampton contratou Enso, o clube publicou um relatório detalhando que o jogador foi descoberto primeiro por dados, depois por scout regional e finalmente por recrutamento especializado. Os ingleses o classificaram como:
- Elétrico: Intenso, gosta do duelo 1×1 e ataca as linhas defensivas.
- Versátil: Pode jogar nas duas pontas e até centralizado como um “10”.
- Surpresa Aérea: Mesmo sem ser alto, tem excelente impulsão e timing de cabeceio. Para o Botafogo, isso significa trazer um jogador que já passou pelo crivo de qualidade da liga mais forte do mundo, mas que está “represado” no time Sub-21 (fez apenas um jogo no profissional), sedento por vitrine.
O Mapa da Oportunidade no Botafogo
A estratégia de 2026 do Botafogo, traçada desde o ano passado, é clara: buscar eficiência. O clube quer atletas com vencimentos menores que os das grandes estrelas do elenco atual, mas com potencial de explosão. Enso González encaixa como uma luva:
- Custo Inicial Baixo: O empréstimo evita o pagamento de uma taxa de transferência pesada agora.
- Valorização: Se ele jogar bem no Brasil, o Botafogo pode exercer a compra de um ativo que a Europa já precificou em € 6 milhões.
- Interesse Mútuo: O Wolves quer que o jogador valorize; o Botafogo quer o talento. É o cenário ideal de “negócio de ocasião”.
Análise Moon BH: O Risco Calculado
Buscar Enso González é um sinal de maturidade do scouting do Botafogo. Em vez de entrar em leilão por jogadores inflacionados no Brasil, o clube olha para as “sobras de luxo” da Europa. Trazer um jogador de 20 anos, de seleção de base, que já está na estrutura de um time de Premier League, é uma aposta inteligente. O risco existe e é comportamental.
Se Enso for apenas “temperamental”, um bom vestiário resolve. Se for indisciplinado, vira problema. Mas o modelo de negócio (empréstimo) protege o Botafogo. Se der certo, o clube ganha um ponta de nível europeu. Se der errado, devolve. É assim que se constrói elenco em tempos de orçamento controlado e ambição alta.