O Botafogo acionou o botão de emergência na gestão de um de seus investimentos mais caros e contestados. O atacante Rwan Cruz, contratado por € 8 milhões (R$ 48,3 milhões) com status de estrela em 2025, está de malas prontas para deixar o Real Salt Lake, da MLS, antes do previsto. O destino é um velho conhecido: o Ludogorets, da Bulgária.
A diretoria alvinegra encaminhou o empréstimo do jogador ao clube europeu onde ele viveu o auge da carreira, em uma manobra pragmática para tentar recuperar o valor de mercado do atleta, que despencou após passagens apagadas pelo Rio de Janeiro e pelos Estados Unidos.
A operação foi desenhada para estancar a desvalorização do ativo. O empréstimo terá validade inicial de seis meses (até o meio de 2026), com opção de compra fixada e possibilidade de renovação do vínculo temporário por mais uma temporada. A decisão de interromper a passagem pela MLS — onde Rwan não marcou nenhum gol em 12 jogos — foi tomada em conjunto, visando recolocar o centroavante em um ambiente onde ele tem confiança e histórico positivo, longe da pressão da torcida botafoguense e da adaptação difícil ao futebol norte-americano.
O Abismo dos Números: Por que ele volta?
A decisão de mandá-lo para a Bulgária é puramente baseada em dados. O contraste entre o Rwan do Ludogorets e o Rwan pós-venda é gritante.
- No Ludogorets (1ª passagem): 82 jogos, 28 gols e 12 assistências. Era referência técnica.
- No Botafogo: 14 jogos e apenas 2 gols. Nunca se firmou.
- No Real Salt Lake (MLS): 12 jogos, 0 gols e 1 assistência. Passagem nula. Ao devolvê-lo ao habitat onde funcionou, o Botafogo aposta que a “memória muscular” e o status de ídolo local farão os gols voltarem, reaquecendo o interesse do mercado europeu pelo jogador.
O Peso da Etiqueta de € 8 Milhões
O problema de Rwan no Botafogo nunca foi apenas técnico, foi financeiro. Quando John Textor assinou o cheque de R$ 48,3 milhões e deu um contrato até o fim de 2028, a expectativa era de retorno imediato. Como isso não aconteceu, o jogador virou alvo fácil da arquibancada. A ida para a MLS foi a primeira tentativa de “oxigenar” a relação, mas falhou.
Agora, o retorno ao Ludogorets é a cartada de segurança. O Botafogo sabe que dificilmente recuperará os € 8 milhões integralmente agora, mas precisa que Rwan jogue e faça gols para que ele não se torne um “ativo tóxico” na folha salarial pelos próximos dois anos.
Futuro no Botafogo? Improvável
Com esse movimento, o Botafogo sinaliza que Rwan está fora dos planos esportivos para 2026. O elenco de Artur Jorge já se reorganizou com outras peças ofensivas e a prioridade é competir em alto nível na Libertadores.
Rwan entra na prateleira de “jogadores para fazer caixa”. Se ele for bem na Bulgária e o Ludogorets (ou outro time) exercer a opção de compra, o Botafogo considerará a missão cumprida, mesmo que tenha que assumir algum prejuízo contábil em relação ao valor de compra original.