O Botafogo iniciou 2026 com um dilema milionário na mesa, mas a decisão pendeu para o lado esportivo. O Olympique de Marselha, tradicional clube da França, formalizou uma investida pelo atacante Artur, camisa 7 do Glorioso. A oferta gira em torno de € 8 milhões (cerca de R$ 50,2 milhões), mas o modelo de negócio apresentado travou as conversas.
Os franceses propuseram um empréstimo imediato com obrigação de compra condicionada a metas esportivas, formato que a diretoria alvinegra considerou “duro” e pouco vantajoso para quem precisa de caixa ou de certeza financeira. Além da questão econômica, pesou a avaliação do recém-chegado técnico Martín Anselmi, que conta com o jogador para a temporada.
A proposta não seduziu porque o Botafogo investiu cerca de € 10 milhões para tirar Artur do Zenit em janeiro de 2025. Aceitar € 8 milhões um ano depois — e ainda parcelado ou condicionado ao futuro — seria assumir um prejuízo contábil e técnico. A diretoria entende que o atacante valeria mais de R$ 100 milhões.
O “Não” de Anselmi e o Planejamento 2026 do Botafogo
A chegada de Martín Anselmi mudou a perspectiva de alguns atletas no elenco, e Artur é um deles. O treinador argentino, conhecido por gostar de pontas agudos e construtores, indicou internamente o desejo de manter o camisa 7.
Para Anselmi, perder um titular (ou peça importante de rotação) logo no início do trabalho, sem a garantia de reposição imediata, seria um passo atrás. O Botafogo, que busca competir em múltiplas frentes, prefere apostar na recuperação técnica do jogador sob novo comando do que liberar um ativo valioso por um valor abaixo do investimento inicial.
Transfer Ban e a Necessidade de Certeza
O pano de fundo dessa negociação é complexo. O Botafogo lida com um transfer ban da Fifa devido a pendências no pagamento de Thiago Almada ao Atlanta United. Nesse cenário de pressão financeira relatado pela Reuters, vender jogadores poderia ser uma saída para gerar liquidez.

No entanto, o modelo do Marselha (empréstimo + metas) não resolve o problema imediato do caixa. O clube precisa de dinheiro “vivo” para quitar dívidas e derrubar a punição, não de promessas de pagamento para 2027. Por isso, a resistência em aceitar qualquer negócio que não envolva transferência definitiva e valores garantidos.
Marselha na Supercopa: O Timing Francês
O interesse do Olympique não é aleatório. O clube briga no topo da Ligue 1 e tem um confronto decisivo contra o PSG na Supercopa da França. Eles buscam reforços prontos para impacto imediato.
Para o Botafogo, isso é um sinal de que os franceses têm urgência. Se quiserem mesmo levar Artur, terão que melhorar a oferta: tirar as condicionalidades, subir o valor para pelo menos empatar com o investimento feito (€ 10 milhões) e convencer Anselmi de que a saída é inevitável. Até lá, Artur segue em General Severiano.
Análise Moon BH: Venda Ruim é Pior que Nenhuma Venda
O Botafogo acertou ao dizer não. O modelo de “empréstimo com obrigação condicionada” é a pegadinha clássica dos europeus para transferir o risco. Se Artur não bater as metas, eles devolvem o jogador desvalorizado e o Botafogo fica sem o dinheiro e sem o atleta por um ano. Com o transfer ban rondando, John Textor precisa ser cirúrgico.
Vender ativo abaixo do custo (€ 8 mi vs € 10 mi) só faz sentido se a corda estiver muito apertada no pescoço. Como Anselmi pediu para ele ficar, o Botafogo ganha tempo. Se Artur fizer um bom Estadual, vale mais. Se o Marselha quiser muito, que pague à vista. O Botafogo não é mais clube que aceita qualquer trocado para fechar a folha.