O Cruzeiro investiu R$ 25,5 milhões em um volante de 18 anos pensando tanto no presente quanto no futuro. Pouco mais de dois meses depois da contratação, Zé Lucas marcou seu primeiro gol como profissional e ajudou a colocar a equipe mineira na quarta posição do Campeonato Brasileiro. A vitória por 2 a 0 sobre o São Paulo, nesta quarta-feira (7), no Mineirão, transformou uma aposta de longo prazo em uma contribuição concreta para a campanha celeste.
O jovem entrou no segundo tempo e marcou aos 12 minutos, aproveitando uma sobra na área adversária. Antes dele, Kaio Jorge havia aberto o placar ainda na primeira etapa. Com o resultado, o Cruzeiro chegou aos 48 pontos e ultrapassou momentaneamente Fluminense e Bahia na disputa pelo G4, embora os dois concorrentes ainda tenham compromissos nesta quinta-feira (8).
O gol não representa, por si só, o retorno financeiro do investimento feito pela SAF. Mas oferece um primeiro resultado visível de uma contratação que chamou atenção justamente pelo preço, pela idade do jogador e pela concorrência enfrentada para tirá-lo do Sport.
Cruzeiro pagou R$ 25,5 milhões por apenas 60% de Zé Lucas
A contratação foi concluída em julho, quando o Cruzeiro desembolsou aproximadamente US$ 5 milhões, equivalentes a R$ 25,5 milhões na cotação utilizada na negociação, para adquirir 60% dos direitos econômicos de Zé Lucas.
O valor significa que a avaliação implícita de 100% dos direitos do jogador chegou a aproximadamente R$ 42,5 milhões. O Sport manteve 20%, enquanto os outros 20% permaneceram com o atleta e seus representantes, conforme os termos divulgados na época.
A estrutura revela que o Cruzeiro não estava simplesmente comprando um jogador para resolver uma necessidade imediata. Também assumia o risco de investir uma quantia relevante em alguém que ainda teria vários anos de desenvolvimento pela frente.
Aos 18 anos, Zé Lucas já possuía experiência profissional no Sport e passagens pelas seleções brasileiras de base. Mesmo assim, a mudança para Belo Horizonte representava um salto de exigência, especialmente pela concorrência no meio-campo e pela pressão por resultados no Brasileirão.
Na negociação, o Cruzeiro ainda precisou lidar com o impasse envolvendo Chico da Costa, inicialmente incluído em um empréstimo ao Sport. Como o atacante não aceitou a transferência, a SAF teve de assumir uma compensação de R$ 1 milhão.
O projeto profissional pesou mais que a concorrência do Flamengo
Um dos aspectos mais interessantes da contratação está na escolha feita pelo próprio jogador. O Flamengo também demonstrou interesse em Zé Lucas, mas trabalhava com a possibilidade de incorporá-lo inicialmente à equipe sub-20.
O Cruzeiro apresentou uma perspectiva diferente: o volante seria integrado diretamente ao elenco profissional, com espaço para disputar minutos e acelerar seu desenvolvimento.
A proposta esportiva ajudou a definir o destino do jogador, mesmo diante da possibilidade de atuar em um clube com maior exposição nacional. Para o Cruzeiro, a operação também fazia sentido por reunir duas necessidades: ampliar as alternativas de Artur Jorge no meio-campo e contratar um atleta com potencial de valorização.
A primeira oportunidade como titular aconteceu em agosto, contra o Mirassol. Desde então, Zé Lucas passou a acumular experiências em uma equipe que disputa posições importantes na tabela, embora ainda não tenha conquistado uma vaga permanente entre os onze iniciais.
O gol contra o São Paulo aconteceu em sua nona partida pelo Cruzeiro, segundo levantamento da Itatiaia.
Primeiro gol chegou em uma disputa que pode valer Libertadores
A participação de Zé Lucas ganhou relevância também pelo momento do Cruzeiro na competição. Antes da partida, a equipe ocupava a sexta colocação, com 45 pontos, e precisava vencer para acompanhar os adversários que disputam vagas na parte mais alta da tabela.
O resultado mudou imediatamente esse cenário. Com 48 pontos, o clube ultrapassou o Bahia, que tinha 46, e o Fluminense, também com 48, mas atrás no critério de número de vitórias.
A posição ainda poderá mudar após os jogos dos concorrentes, mas a vitória colocou pressão sobre os adversários diretos e manteve o Cruzeiro na disputa por uma vaga na Libertadores de 2027.
Para Zé Lucas, o contexto torna o primeiro gol especialmente significativo. Não foi uma marca alcançada em uma partida sem consequências para a classificação, mas em um confronto que ajudou a equipe a ganhar posições importantes na reta final do campeonato.
Depois do jogo, o volante dedicou o gol à família, especialmente ao pai, e afirmou estar tranquilo diante das perguntas sobre uma possível transferência para o futebol europeu. Seu foco, segundo declarou, continua sendo ajudar o Cruzeiro a alcançar a classificação continental.
Zé Lucas começa a justificar a aposta, mas avaliação exige tempo
O primeiro gol também permite observar uma mudança na forma como o investimento pode ser avaliado. Em julho, a principal discussão envolvia quanto o Cruzeiro havia pago, qual percentual dos direitos econômicos comprou e quanto poderia receber em uma eventual venda futura.
Agora, o clube começa a reunir resultados esportivos para acompanhar os cálculos financeiros. Zé Lucas ainda precisa conquistar regularidade, ampliar sua participação e mostrar que consegue manter o desempenho diante de diferentes adversários.
A contratação não será considerada bem-sucedida apenas porque o volante marcou uma vez. O retorno dependerá de sua evolução, da contribuição ao time e, eventualmente, do valor que poderá alcançar no mercado.
Mas a noite de quarta-feira oferece uma primeira resposta à decisão tomada pela diretoria. O Cruzeiro escolheu investir em um jovem que poderia crescer dentro do próprio elenco, em vez de contratar exclusivamente um volante experiente para atender à necessidade imediata.
Pouco mais de dois meses depois, esse jogador marcou seu primeiro gol profissional justamente em uma vitória que levou o clube ao G4. O investimento ainda está longe de ser completamente avaliado, mas já começou a produzir resultados dentro de campo.


