Há menos de um mês, Lucas Silva alcançou uma marca que poucos jogadores conseguem construir no futebol brasileiro. Ao chegar a 345 partidas pelo Cruzeiro, o volante entrou no top 25 de atletas que mais defenderam o clube e passou a mirar nomes históricos como Raimundinho, Marcelo Ramos e Tostão.
O problema é que a possibilidade de continuar essa escalada encontrou um obstáculo inesperado. Lucas Silva praticamente deixou de jogar.
Desde a retomada do calendário após a Copa do Mundo, o volante entrou em campo apenas três vezes pelo Cruzeiro. Em todas elas, saiu do banco e permaneceu menos de 45 minutos em campo.
O cenário produz um contraste curioso: um dos jogadores mais históricos do atual elenco se tornou, justamente agora, uma das últimas opções do meio-campo de Artur Jorge.
Lucas Silva não completa um jogo desde abril
A perda de espaço não começou nas últimas semanas.
Segundo levantamento publicado pelo ge, Lucas Silva não disputa uma partida completa desde abril, quando foi titular no empate por 2 a 2 com o Goiás pela Copa do Brasil.
Desde então, sua participação foi gradualmente reduzida.
Artur Jorge afirmou que a decisão não envolve qualquer problema pessoal ou disciplinar com o jogador. Pelo contrário, o português fez questão de elogiar a qualidade técnica e o peso simbólico do volante dentro do clube.
A explicação está na maneira como o Cruzeiro passou a jogar.
Segundo o treinador, a equipe atua atualmente em zonas mais altas do campo, busca pressionar o adversário e exige maior mobilidade dos jogadores sem a bola.
“Tem menos tempo de jogo porque eu priorizo os jogadores com um nível de rotatividade”, explicou Artur Jorge ao ge.
O técnico ainda classificou Lucas Silva como “um dos melhores” jogadores do elenco quando o time tem a posse. Ou seja, a perda de espaço não está ligada necessariamente à capacidade de passar ou controlar o jogo, mas sim, ao que o Cruzeiro passou a exigir fisicamente de seus volantes.
Cruzeiro mudou e concorrência aumentou
A transformação do meio-campo ajuda a entender o cenário.
Lucas Romero segue como uma das principais referências do setor. Ao mesmo tempo, o Cruzeiro foi ao mercado e contratou Zé Lucas, jogador de 18 anos identificado justamente pela capacidade de intensidade, pressão e mobilidade.
O Moon BH mostrou em julho que o clube já procurava alternativas para aumentar a concorrência no meio-campo. A chegada de novos jogadores ampliou um setor que também conta com Gerson e outras opções utilizadas por Artur Jorge.
Lucas Silva acabou ficando espremido nesse novo desenho.
Não significa que esteja fora dos planos.
O próprio treinador deixou claro que considera o volante importante, especialmente em jogos nos quais o Cruzeiro precise controlar mais a posse de bola. Mas a estrutura atualmente preferida pelo técnico oferece menos espaço para suas características.
Um recorde que pode ficar mais distante

É justamente aí que a situação ganha outra dimensão.
Quando Lucas Silva alcançou 345 jogos em agosto, o Moon BH mostrou que o próximo jogador no ranking histórico era Raimundinho, com 351 partidas. A diferença era de apenas seis jogos.
Pouco depois apareciam Marcelo Ramos, com 354, e Geraldo II, com 359. Tostão, um dos maiores nomes da história celeste, estava a 33 partidas.
Com contrato válido até o fim de 2027, parecia perfeitamente possível imaginar Lucas continuando a subir nessa lista. A redução drástica de minutos muda essa projeção.
Se permanecer como uma das últimas escolhas da rotação, cada nova aparição passa a depender de um contexto específico de jogo, desfalques ou mudanças na estratégia de Artur Jorge.
A ironia é evidente: Lucas Silva está mais perto do que nunca de alguns dos maiores nomes da história do Cruzeiro, mas esportivamente ficou mais distante de alcançá-los.
Mudança também ajuda a explicar o novo Cruzeiro
O Cruzeiro mudou bastante desde a chegada de Artur Jorge. A equipe passou a defender de maneira mais agressiva, pressionar mais alto e exigir que seus meio-campistas encurtem rapidamente os espaços.
Esse modelo ajudou a Raposa a crescer no segundo turno do Campeonato Brasileiro e se recuperar depois das eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil.
O Moon BH mostrou que o time chegou a 71,4% de aproveitamento no returno, uma transformação significativa em comparação com a primeira metade da competição.
Lucas Silva acabou sendo uma das consequências dessa mudança.
Não porque tenha deixado de ter qualidade técnica ou importância histórica, mas porque o Cruzeiro que ele conhece tão bem passou a exigir outras características para a função que desempenha.
Há um mês, a pergunta era até onde Lucas Silva poderia subir no ranking de jogos do clube.
Agora, surgiu uma etapa anterior: quantas oportunidades ele ainda terá para continuar essa corrida?


