O Cruzeiro é atualmente o melhor time do segundo turno do Campeonato Brasileiro. A frase parece incompatível com outra informação igualmente verdadeira: a Raposa continua fora do G5 e ocupa apenas a sexta colocação.
A aparente contradição explica melhor a temporada celeste do que simplesmente olhar para a sequência recente de resultados.
Depois da vitória por 3 a 1 sobre o Athletico-PR, o Cruzeiro chegou a 15 pontos nas primeiras sete partidas do returno. São cinco vitórias e duas derrotas, com aproveitamento de 71,43%.
Quando essa campanha é comparada à primeira metade do campeonato, aparece o tamanho real da transformação.
Cruzeiro saltou de 47% para mais de 71%
O Cruzeiro possui atualmente 42 pontos após 26 partidas. Como 15 deles foram conquistados nas sete rodadas do returno, a equipe terminou o primeiro turno com 27 pontos.
Foram 27 de 57 pontos possíveis nas primeiras 19 rodadas, aproveitamento de aproximadamente 47,4%.
No returno, são 15 de 21 possíveis, ou 71,4%.
A diferença é de cerca de 24 pontos percentuais.
Não se trata, portanto, apenas de uma sequência positiva. A versão atual do Cruzeiro está pontuando em um ritmo muito superior ao daquela que atravessou boa parte da primeira metade do Brasileirão.
A recuperação começou depois que Artur Jorge assumiu uma equipe que chegou a ocupar a lanterna. O crescimento foi suficiente para recolocar a Raposa na briga pelas primeiras posições, mas ainda não para apagar completamente o custo daquele começo.
Melhor do returno ainda é sexto colocado

Esse é o paradoxo.
Considerando somente as últimas dez rodadas, o Cruzeiro também aparece no topo. São 22 pontos, com sete vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Nesse período, marcou 17 gols e sofreu 11.
Mesmo assim, a tabela completa ainda coloca o clube atrás de cinco adversários.
O problema não está no que o Cruzeiro está fazendo agora. Está nos pontos que já não podem ser recuperados diretamente.
Os 27 conquistados no primeiro turno criaram uma base muito inferior ao ritmo atual. Agora, mesmo jogando como candidato às primeiras posições, a Raposa precisa simultaneamente vencer e esperar tropeços de equipes que construíram uma vantagem maior anteriormente.
É exatamente por isso que a recente eliminação nas copas produz uma consequência interessante. O Moon BH já mostrou que o calendário exclusivamente dedicado ao Brasileirão pode oferecer semanas maiores de treino e recuperação.
Agora existe um número mostrando o tamanho da oportunidade.
Se mantiver o ritmo, cenário muda completamente
O Cruzeiro ainda possui 12 partidas para disputar, ou 36 pontos possíveis.
Caso mantenha o aproveitamento atual do returno, a projeção é de aproximadamente mais 25 pontos. Isso levaria a equipe aos 67 ao fim do campeonato.
Segundo projeção citada pelo O TEMPO com dados do Departamento de Matemática da UFMG, essa pontuação seria suficiente, no cenário calculado atualmente, para assegurar presença no G4.
É uma projeção, não uma garantia de que o Cruzeiro conseguirá sustentar 71% de aproveitamento durante toda a reta final.
Ainda assim, ajuda a explicar como a situação mudou.
Há poucas semanas, a discussão passava por duas eliminações seguidas e pela cobrança sobre o retorno esportivo dos investimentos de Pedro Lourenço. O Moon BH mostrou que o clube agora precisa transformar o investimento de Pedrinho BH em resultado concreto.
No Campeonato Brasileiro, essa resposta começou a aparecer.
Kaio Jorge chegou aos 50 gols pelo clube, Matheus Pereira aumentou sua presença ofensiva e a equipe passou a acumular vitórias com frequência.
O desafio deixou de ser começar uma reação.
Agora é manter essa reação por tempo suficiente para pagar uma conta que foi aberta nas primeiras 19 rodadas.


