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Cruzeiro: Maior investimento do elenco ainda não marcou pelo clube em 2026

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A contratação de Gerson pelo Cruzeiro colocou o meio-campista em uma posição pouco comum: mesmo sem ser atualmente o jogador de maior remuneração da folha, ele continua entre os atletas mais caros do elenco e representa um dos maiores investimentos já feito pelo futebol brasileiro. O problema para a SAF é que, passados meses de sua chegada, o camisa 11 ainda não conseguiu marcar pelo clube.

O último gol de Gerson aconteceu em 6 de dezembro de 2025, quando ainda defendia o Zenit e balançou as redes contra o Akron pelo Campeonato Russo. Desde então, foram 41 partidas sem marcar, incluindo toda a passagem pelo futebol brasileiro em 2026. A informação foi atualizada nesta sexta-feira (4) pela CNN Brasil.

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O custo de cada mês sem gol

O primeiro número que chama atenção é o valor da contratação. O Cruzeiro desembolsou € 27 milhões fixos para tirar Gerson do Zenit, aproximadamente R$ 169 milhões na cotação da época, com possibilidade de a operação chegar a € 30 milhões caso as metas previstas sejam atingidas.

A conta não termina na transferência. Estimativas de mercado colocam os vencimentos do jogador na faixa de R$ 3 milhões mensais, considerando salário e demais componentes do pacote. Isso significa que, em uma conta simples, cada mês em que Gerson não entrega gols mantém sobre o orçamento do Cruzeiro uma despesa milionária sem que esse indicador específico apareça no placar.

É claro que reduzir a avaliação de um volante ao número de gols seria injusto. Desde a chegada de Artur Jorge, Gerson passou a desempenhar uma função mais central no meio-campo, participando da construção, da circulação da bola e da pressão. Na estreia do treinador, contra o Vitória no Mineirão, ele terminou com 94% de aproveitamento nos passes e 85 ações com a bola.

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Mas existe uma diferença entre justificar a contratação pelo desempenho tático e entregar aquilo que o mercado esperava de uma contratação desse tamanho.

O investimento precisa aparecer de outras formas

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Gerson não foi contratado apenas para fazer gols. O Cruzeiro buscou um jogador capaz de elevar o nível técnico do meio-campo, aumentar a competitividade do elenco e assumir protagonismo em partidas grandes.

Por isso, a análise financeira precisa considerar também participações em gols, minutos disputados, influência na construção das jogadas e capacidade de ajudar o time a alcançar resultados que gerem receitas. Ainda assim, o jejum se tornou uma estatística impossível de ignorar porque o investimento foi excepcional.

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O clube pagou o equivalente a mais de R$ 160 milhões por um atleta que chegou com status de estrela e contrato longo. Em uma temporada na qual a SAF decidiu acelerar os gastos para montar um elenco competitivo, cada peça desse quebra-cabeça precisa produzir retorno proporcional ao custo.

E esse retorno pode ser coletivo. Se Gerson ajudar o Cruzeiro a terminar o Campeonato Brasileiro em posição de classificação para a Libertadores, por exemplo, a ausência de gols passa a ter um peso menor na avaliação econômica do negócio. O problema é quando o investimento elevado também deixa de se transformar em resultados.

O momento mudou depois das eliminações

A situação ganhou outro significado depois de o Cruzeiro ser eliminado da Libertadores pelo Flamengo e da Copa do Brasil pelo Atlético. Em apenas 13 dias, a equipe deixou duas competições e passou a disputar exclusivamente o Brasileirão até o fim da temporada.

Isso reduz a quantidade de partidas disponíveis para que Gerson transforme sua produção individual em retorno esportivo. Ao mesmo tempo, cria uma oportunidade: com uma competição a menos, Artur Jorge terá semanas mais longas para trabalhar a equipe e encontrar maneiras de extrair ainda mais do meio-campista.

O Cruzeiro atualmente ocupa a sexta colocação do Brasileirão, com 39 pontos, e ainda tem 13 rodadas pela frente. Segundo projeção do Departamento de Matemática da UFMG, a equipe tem 41,7% de chance de terminar no G5.

O gol pode mudar a narrativa

Há uma diferença importante entre um jogador caro que não produz e um jogador caro que ainda não transformou sua produção em gols. Gerson está mais próximo da segunda situação, especialmente porque sua função foi alterada e sua participação no jogo não depende exclusivamente das finalizações.

Mesmo assim, o primeiro gol pelo Cruzeiro teria um peso simbólico e financeiro muito maior do que uma estatística isolada. Para um atleta contratado por € 27 milhões, marcar pela primeira vez poderia representar o início de uma nova narrativa sobre o investimento.

O Cruzeiro já assumiu o risco financeiro de colocar uma quantia inédita no futebol brasileiro em um único jogador. Agora, com apenas o Brasileirão no calendário, Gerson terá uma última janela importante em 2026 para transformar o custo em retorno e mostrar por que a SAF decidiu fazer dele uma das grandes apostas da era Pedro Lourenço.

O relógio corre desde dezembro de 2025. E, para um jogador desse tamanho financeiro, cada rodada sem gol aumenta a curiosidade sobre quando a conta finalmente começará a fechar dentro de campo.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.