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Cruzeiro diz ‘não’ a fortuna de R$ 87 milhões por joia com apenas 4 jogos

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O Cruzeiro tomou uma decisão firme no mercado da bola que envia um recado claro ao futebol europeu: a Toca da Raposa não vai liberar suas maiores promessas no primeiro lance. A diretoria celeste recusou uma oferta que poderia alcançar a expressiva marca de R$ 87,3 milhões pelo meia-atacante Felipe Morais.

O jogador, que completou 18 anos exatamente neste sábado (29 de agosto), possui apenas quatro partidas disputadas oficialmente pela equipe profissional, mas já desponta como um dos ativos mais valiosos do clube.

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A investida oficial partiu do Shakhtar Donetsk, tradicional clube da Ucrânia com longo histórico de contratação de jovens talentos brasileiros. A proposta colocou na mesa 12,5 milhões de euros (cerca de R$ 75,3 milhões na cotação base da operação) em valores fixos e garantidos.

Além desse montante, o acordo previa mais 2 milhões de euros (aproximadamente R$ 12 milhões) atrelados a bônus por metas esportivas. Mesmo diante dessas cifras, o Cruzeiro optou por encerrar a negociação.

A ascensão meteórica de Felipe Morais

Foto: Reprodução – Instagram

Natural de Conselheiro Lafaiete, Felipe Morais veste a camisa estrelada desde os nove anos de idade. Com passagem inicial pelo futsal do clube, o meia-atacante queimou etapas nas categorias de base e alcançou o time Sub-20 antes mesmo de estourar o limite de idade. Sua vitrine para o exterior foi consolidada durante a Copa do Mundo Sub-17 de 2025, torneio em que defendeu a Seleção Brasileira em sete dos oito jogos da campanha e balançou as redes duas vezes.

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O desempenho nos torneios de base chamou a atenção de gigantes como Chelsea e Atlético de Madrid, que passaram a monitorar de perto sua evolução física e técnica. No entanto, a entrada definitiva no radar do técnico Artur Jorge aconteceu na atual temporada. Durante a intertemporada, Felipe ganhou minutagem e não decepcionou, marcando um gol no amistoso contra o Defensor, do Uruguai.

Com os problemas físicos enfrentados por Luis Sinisterra e Gabriel Pec, a joia foi alçada a titular em partidas oficiais, acumulando quatro exibições no time de cima até a chegada da proposta ucraniana.

O paralelo interno: Kauã Prates, Kaiki e o novo sarrafo da SAF

Lateral do Cruzeiro Kaiki Bruno
Kaiki Bruno – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

A recusa dos R$ 87 milhões ganha ainda mais peso quando comparada ao histórico recente de vendas da própria SAF do Cruzeiro. Caso todas as metas estipuladas pelo Shakhtar fossem atingidas (alcançando 14,5 milhões de euros no total), a operação por Felipe Morais ultrapassaria os 14 milhões de euros fixos que envolveram a venda do lateral Kaiki para o Como, da Itália — transferência que já figura no topo da lista das maiores da história do clube.

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Outro comparativo direto ocorreu em janeiro deste ano. O Cruzeiro aceitou vender o lateral Kauã Prates, na época com 17 anos, para o Borussia Dortmund por 12 milhões de euros fixos (cerca de R$ 75 milhões). Agora, os ucranianos ofereceram 12,5 milhões de euros garantidos por Felipe Morais (meio milhão a mais), mas a resposta foi negativa.

Isso escancara que a avaliação interna da diretoria para o meia-atacante superou a régua de negociações anteriores. O clube não considera necessariamente um jogador superior ao outro, mas a concorrência europeia e o momento esportivo mudaram o patamar do negócio.

Multa rescisória de R$ 600 milhões garante poder de barganha

A Raposa só conseguiu adotar essa postura inflexível porque se protegeu juridicamente antes de o jogador explodir na vitrine do Campeonato Brasileiro. Em março, quando Felipe ainda tinha 17 anos, a gestão renovou seu contrato até março de 2029, garantindo uma robusta valorização salarial. O principal escudo dessa renovação foi a cláusula de rescisão para transferências internacionais, fixada em 100 milhões de euros (aproximadamente R$ 600 milhões).

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Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.