O Cruzeiro voltou a acumular vitórias, subiu de rendimento e se consolidou entre os times mais competitivos do futebol brasileiro após a Copa do Mundo. Contra o Atlético, entretanto, a Raposa será submetida a um teste diferente: provar novamente que consegue transformar a boa fase em classificação quando a temporada chega aos jogos sem margem para recuperação.
A história oferece ao Cruzeiro um apelido difícil de ignorar. Com seis títulos, o clube continua sendo o maior campeão da Copa do Brasil. A última taça, porém, foi conquistada em 2018.
Desde então, o futebol celeste atravessou mudanças profundas. Agora novamente estruturado e competitivo, o desafio passa a ser recuperar também a força que transformou o clube em referência nacional de mata-mata.
Eliminações recentes criaram nova cobrança
O contexto recente mostra por que o clássico possui peso maior do que apenas a rivalidade.
O Cruzeiro chegou à semifinal da Copa Sul-Americana de 2024, voltou a disputar a semifinal da Copa do Brasil em 2025 e, nesta temporada, acabou eliminado nas oitavas de final da Libertadores pelo Flamengo.
Nenhuma dessas campanhas representa um fracasso isoladamente, mas a repetição aumenta a cobrança sobre um elenco que já voltou a disputar as principais competições do país.
Contra o Atlético, o Cruzeiro começa outra eliminatória importante poucos dias depois de deixar o torneio continental. O vencedor do confronto mineiro receberá R$ 9 milhões e avançará à semifinal da Copa do Brasil.
O cenário dá ao clube uma oportunidade imediata para responder à eliminação anterior.
Bom momento aumenta expectativa

Se a tradição cria pressão, o desempenho atual produz confiança.
O Cruzeiro aparece como o clube da Série A com mais vitórias no período após a Copa do Mundo. No levantamento que considera todas as competições desde a retomada do calendário brasileiro, a Raposa alcançou seis vitórias e aproveitamento de 66,6%.
Esse rendimento ajuda a explicar a sensação de evolução sob Artur Jorge.
O time passou a controlar melhor diferentes momentos das partidas, reduziu espaços defensivos e encontrou alternativas ofensivas para não depender exclusivamente de uma única maneira de construir jogadas.
O clássico, porém, exige outro tipo de resposta. Uma equipe pode fazer uma ótima sequência no Campeonato Brasileiro e ainda assim ser eliminada por uma atuação ruim em uma noite de Copa do Brasil.
É justamente essa diferença que torna o duelo contra o Atlético uma espécie de prova de maturidade.
Retrospecto contra o Atlético ajuda o Cruzeiro
Se existe uma dívida recente com mata-matas em geral, contra o Atlético a memória é positiva.
Cruzeiro e Galo já disputaram três eliminatórias pela Copa do Brasil. A Raposa avançou em duas delas, ambas pelas quartas de final.
Em 2019, o Cruzeiro venceu o primeiro duelo por 3 a 0. Mesmo derrotado por 2 a 0 na volta, garantiu a classificação. Em 2025, o domínio foi maior: duas vitórias por 2 a 0 e 4 a 0 no agregado.
A única derrota aconteceu na final de 2014, quando o Atlético ganhou as duas partidas e ficou com o título.
O retrospecto recente, portanto, coloca o Cruzeiro diante de uma situação curiosa. O clube procura recuperar nacionalmente a força que consolidou seu apelido de Rei de Copas, mas justamente contra o maior rival já vem se comportando como um time extremamente eficiente em confrontos eliminatórios.
Clássico pode representar mais do que uma vaga
A eliminatória também chega meses depois de outro duelo decisivo vencido pelo Cruzeiro.
Em março, a Raposa derrotou o Atlético por 1 a 0 na final do Campeonato Mineiro. Por outro lado, o Galo respondeu no Brasileirão e venceu por 3 a 1 no Mineirão em maio.
O equilíbrio da temporada impede qualquer leitura simples sobre favoritismo.
Para o Cruzeiro, entretanto, existe um componente adicional.
O clube já demonstrou que voltou a competir na parte alta do futebol brasileiro. Vence adversários importantes, apresenta bons números e consegue sustentar desempenho durante sequências longas.
O passo seguinte é transformar essa regularidade em troféus.
A Copa do Brasil oferece justamente esse caminho. E eliminar novamente o Atlético significaria mais do que chegar à semifinal: seria outra evidência de que o antigo Rei de Copas começa a reconstruir também sua autoridade nos jogos que definem temporadas.


