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Cruzeiro abre saída para três jovens sem espaço e já define destinos no mercado

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O Cruzeiro começou a reorganizar o elenco durante a pausa da Copa do Mundo e colocou três jovens sem espaço imediato em novos caminhos no mercado. Japa, Janderson e Bruno Alves não tiveram sequência com Artur Jorge e estão de saída da Toca da Raposa II em operações com objetivos diferentes: dar minutagem, abrir vitrine internacional e proteger ativos para futuras negociações.

O movimento não deve ser lido como descarte. Os três casos envolvem jogadores jovens, formados ou desenvolvidos no clube, mas que ficaram distantes da primeira prateleira do elenco profissional. Com a equipe em disputa de Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores, a comissão técnica tende a priorizar atletas mais prontos para jogos de alto nível.

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A diretoria celeste, por isso, decidiu agir. Japa vai para o Mirassol por empréstimo. Janderson foi acertado em definitivo com o Moreirense, de Portugal, mas com manutenção de 50% dos direitos econômicos. Bruno Alves segue para o Norwich City, da Inglaterra, também por empréstimo, com compensação financeira e opção de compra.

São três saídas parecidas na origem, mas diferentes na estratégia.

Japa vai ao Mirassol para jogar mais

Foto: Gustavo Aleixo – Cruzeiro

Japa é o caso mais voltado à recuperação de minutos. O meio-campista de 22 anos acertou empréstimo ao Mirassol até o fim da temporada. O acordo dá ao jogador a chance de disputar Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores por um clube que pode oferecer espaço maior do que ele teria na Raposa neste momento.

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O volante tem contrato com o clube mineiro até dezembro de 2030 e está avaliado em € 1 milhão, cerca de R$ 6,5 milhões na conversão aproximada. Pelo valor e pelo vínculo longo, a diretoria não trata a saída como venda. A ideia é preservar o ativo e permitir que ele jogue regularmente.

O problema de Japa sempre foi sequência. Desde que subiu ao profissional, em 2023, alternou bons momentos, lesões e longos períodos sem espaço. Ao todo, soma 37 jogos pelo time principal. Nesta temporada, fez apenas 10 partidas e não atua desde março, quando foi titular contra o Athletico-PR.

O Mirassol virou destino mais adequado porque oferece calendário competitivo e possibilidade real de utilização. O Coritiba também demonstrou interesse, mas as conversas não avançaram. Clubes europeus, principalmente de Portugal, chegaram a sondar, mas o caminho escolhido foi permanecer no Brasil, em uma equipe da Série A.

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Para o meio-campista, o empréstimo pode funcionar como reinício. Dessa forma, se tiver minutos, volta mais valorizado e com argumento para disputar espaço em 2027. Se não jogar, a situação fica mais delicada, porque o contrato longo por si só não garante lugar no elenco.

Janderson sai sem dinheiro agora, mas com percentual futuro

Foto: Divulgação/Instagram
Foto: Divulgação/Instagram

Janderson terá um caminho diferente. O zagueiro de 20 anos foi negociado em definitivo com o Moreirense, de Portugal. A Raposa não receberá compensação financeira imediata, mas ficará com 50% dos direitos econômicos do jogador, apostando em valorização futura.

Essa estrutura explica a lógica da operação. O defensor estava sem espaço, vinha de grave lesão no joelho e não atuava desde abril do ano passado. Depois de se recuperar, voltou ao grupo em janeiro, mas não recebeu oportunidades com Artur Jorge.

O Moreirense faz parte da Black Knights Football, grupo que também tem ligação com Bournemouth, da Inglaterra, Lorient, da França, e Orlando City, dos Estados Unidos. Sendo assim, para o jovem, esse ambiente pode abrir uma rota internacional mais ampla do que uma permanência sem minutos na Toca.

O contrato com o clube português será válido até 2031. Antes da saída, Janderson tinha vínculo com o time mineiro até fevereiro de 2029. O Transfermarkt ainda não atribui valor de mercado público ao zagueiro, o que reforça a leitura de que a operação foi construída mais em cima de potencial do que de preço atual.

Aos 20 anos e com 1,90 m, o defensor tem perfil físico interessante para o futebol europeu. Dessa forma, também pode atuar como volante ou lateral-direito, segundo bases de dados internacionais. Portanto, essa versatilidade ajuda, mas o ponto central será voltar a jogar.

Além disso, para a Raposa, manter metade dos direitos econômicos é uma forma de não perder completamente um ativo da base. Se o zagueiro se desenvolver em Portugal e for vendido para outro mercado, o clube poderá receber uma fatia relevante da negociação.

Bruno Alves terá vitrine na Inglaterra

Foto: Gustavo Martins – Cruzeiro

Bruno Alves é o caso mais valorizado pela vitrine. O defensor de 20 anos foi emprestado ao Norwich City, clube da Championship, a segunda divisão inglesa. A negociação prevê compensação financeira ao clube celeste e opção de compra para os ingleses, com valores mantidos em sigilo.

A Itatiaia informou que o empréstimo será de um ano, até junho de 2027. O ge também confirmou o acerto e destacou que o jogador não recebeu oportunidades com Artur Jorge. No elenco, ele aparecia como quinta opção da zaga, atrás de Fabrício Bruno, João Marcelo, Jonathan Jesus e Lucas Villalba.

O zagueiro tem contrato com a Raposa até dezembro de 2029 e está avaliado em € 250 mil, cerca de R$ 1,6 milhão. Esse valor público, no entanto, não traduz totalmente o potencial do atleta. Bruno foi titular da Seleção Brasileira no Mundial Sub-20 de 2025 e chegou a ser tratado internamente como um nome de futuro.

O problema era o espaço. Mesmo relacionado em algumas partidas do profissional, ainda não estreou pelo time principal. Permanecer apenas treinando poderia travar a evolução. A ida ao Norwich oferece uma oportunidade diferente: competir em um campeonato físico, intenso e com boa vitrine para clubes da Premier League.

Para os ingleses, é uma aposta de baixo risco. Por outro lado, para o Cabuloso, o acordo combina receita imediata, desenvolvimento e possibilidade de venda futura. Se Bruno se firmar, a opção de compra pode ser exercida. Dessa forma, se não avançar, volta ainda jovem e com experiência internacional.

Por que Artur Jorge não usou os três

A falta de minutos não se explica por um único motivo. O elenco celeste ficou mais forte, a disputa aumentou e o treinador precisou montar uma hierarquia para competições pesadas. Sendo assim, jogadores em formação ficaram para trás.

No meio-campo, Japa passou a disputar espaço com atletas mais prontos e com maior rodagem. Na zaga, Janderson e Bruno Alves encontraram um setor cheio, com nomes mais experientes e outros jovens já à frente na avaliação da comissão.

Por fim, a pausa da Copa abriu uma janela para resolver essas situações. Manter jogadores jovens parados até dezembro seria ruim para todas as partes. Sendo assim, a diretoria escolheu caminhos diferentes conforme o estágio de cada um.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.