O Cruzeiro abriu 2026 gastando como poucos clubes do futebol brasileiro. Até agora, considerando apenas valores fixos de compra divulgados nas principais negociações, a Raposa já assumiu compromissos próximos de R$ 205 milhões em reforços. A conta pode passar de R$ 224 milhões se os bônus previstos na contratação de Gerson forem atingidos.
Do outro lado, o clube também vendeu bem. Entre jogadores negociados em definitivo, obrigações de compra ativadas e saídas já acertadas para a Europa, o Cruzeiro tem cerca de R$ 150 milhões em receitas brutas garantidas ou encaminhadas com atletas em 2026.
A diferença ainda é negativa, mas o retrato não é tão simples quanto parece. A SAF celeste não apenas comprou caro. Ela também mudou a prateleira dos seus ativos. O clube gastou para subir o nível do elenco principal e passou a vender jovens ou jogadores fora do plano esportivo por valores que, em outros anos, dificilmente apareceriam na Toca da Raposa.
A maior parte do gasto está concentrada em um nome: Gerson. A contratação junto ao Zenit, da Rússia, virou a maior compra da história do futebol brasileiro. O Cruzeiro aceitou pagar 27 milhões de euros, cerca de R$ 169 milhões, além de bônus que podem acrescentar mais 3 milhões de euros ao negócio.
Quanto custa manter o time?
Sozinho, Gerson representa mais de 80% do investimento fixo do clube em compras no ano. É por isso que qualquer balanço sobre o mercado celeste precisa separar a operação do meia das demais. Sem ele, o Cruzeiro teria uma janela agressiva, mas não fora da curva. Com ele, o clube entrou em outro patamar de risco e ambição.
Além do camisa 8, a Raposa comprou Chico da Costa por cerca de US$ 1 milhão, algo próximo de R$ 5,5 milhões, e fechou Gabriel Rojas, do Racing, por cerca de US$ 6 milhões, em torno de R$ 31 milhões. Esses dois negócios elevam a soma fixa de compras para aproximadamente R$ 205,5 milhões.
Outros nomes chegaram sem taxa de transferência ou por empréstimo. Matheus Cunha veio após fim de contrato com o Flamengo. Néiser Villarreal assinou pré-contrato ao encerrar vínculo com o Millonarios. Fagner ficou em definitivo depois de rescindir com o Corinthians. Bruno Rodrigues retornou por empréstimo, com opção de compra de US$ 5 milhões, mas esse valor só entra na conta se o Cruzeiro decidir exercer a cláusula.
A conta das vendas do Cruzeiro em 2026

Nas saídas, a maior venda confirmada até agora é a de Kauã Prates ao Borussia Dortmund. O lateral-esquerdo foi negociado em uma operação de 12 milhões de euros fixos, cerca de R$ 75 milhões. Como ainda era menor de idade no momento do acerto, a apresentação na Alemanha ficou programada para agosto, quando completa 18 anos.
Logo atrás aparece Cauan Baptistella. O meia, destaque da base e campeão da Copinha, foi vendido ao Metalist 1925, da Ucrânia, por 5 milhões de euros, perto de R$ 31 milhões. O Cruzeiro ainda manteve 30% dos direitos econômicos, o que preserva uma possibilidade de nova receita se o jogador for negociado no futuro.
Ryan Guilherme também entrou na lista. O volante foi vendido ao Rio Ave, de Portugal, por 2,5 milhões de euros, cerca de R$ 15,7 milhões. A operação, porém, não é integralmente azul. Como havia percentual do Fortaleza, o Cruzeiro fica com algo perto de 2,1 milhões de euros e mantém 10% dos direitos econômicos para uma futura transferência.
O que mais está por vir
Há ainda duas vendas que nasceram de empréstimos com obrigação de compra. Marlon, que estava no Grêmio, atingiu metas e passou a ser comprado por 3,5 milhões de euros, aproximadamente R$ 22,8 milhões, em pagamento parcelado. Zé Ivaldo, no Santos, também bateu metas contratuais e será adquirido por US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,3 milhões.
Somando Kauã Prates, Baptistella, Ryan, Marlon e Zé Ivaldo pelos valores brutos divulgados, a receita fica perto de R$ 150 milhões. Se a conta for feita pelo dinheiro líquido estimado para o Cruzeiro, ela cai um pouco, principalmente por causa do percentual do Fortaleza na venda de Ryan.
Mesmo assim, o número é relevante. O clube gastou pesado, mas já recuperou uma parte importante do investimento com jogadores que não estavam no centro do projeto esportivo para o segundo semestre.
Kaiki pode mudar completamente o balanço
A peça que pode virar a conta é Kaiki. O lateral-esquerdo é alvo do Como, da Itália, em uma negociação que chegou ao patamar de 15 milhões de euros, valor próximo de R$ 88 milhões ou R$ 89 milhões, dependendo da cotação usada.
Por fim, é certo que esse dinheiro ainda não entra no balanço porque o negócio não foi fechado. A negociação se arrasta por detalhes entre clubes, jogador e condições de pagamento. Mas, se for concluída nos moldes já discutidos, o Cruzeiro passaria de cerca de R$ 150 milhões para algo perto de R$ 238 milhões em vendas brutas no ano.





