O Cruzeiro mudou oficialmente de prateleira no ecossistema de negócios do futebol sul-americano. Em menos de um ano, o valor de mercado do elenco celeste praticamente dobrou. Ele saltou de € 87,85 milhões (em julho de 2025) para impressionantes € 166,55 milhões (cerca de R$ 996 milhões).
Impulsionada por investimentos pesados, a equipe deixa o patamar de “apenas competitiva”. Assim, ela se consolida como uma das vitrines mais valiosas do Brasileirão.
Blindagem na zaga e a valorização orgânica
A injeção de dinheiro e a elevação de patamar técnico não se restringiram ao setor de criação. Sem dúvida, os investimentos do Cruzeiro contribuíram para o sucesso defensivo. A diretoria celeste compreendeu que, para sustentar a ambição esportiva, a última linha de defesa precisava acompanhar o peso do ataque.
Os números atestam essa blindagem: o zagueiro Fabrício Bruno e o lateral-esquerdo Kaiki atingiram a marca de € 12 milhões cada.
O caso de Kaiki, inclusive, ilustra o cenário ideal para uma SAF de sucesso: o clube investe alto para trazer medalhões. Enquanto isso, os jovens da base se desenvolvem nesse ambiente hipercompetitivo, inflando o potencial de uma revenda futura para a Europa. Por isso, o Cruzeiro aparece como destaque entre os clubes formadores do país.
O peso de € 60 milhões do trio ofensivo
O salto meteórico de quase 89,6% em tão pouco tempo não é fruto de flutuações ao acaso. O trio ofensivo, que tem sido crucial para o Cruzeiro, foi resultado de uma gestão da SAF. A diretoria combinou compra agressiva de atletas em posições-chave com a maturação de ativos já presentes na Toca da Raposa.

Hoje, a força financeira da equipe está concentrada em seu poder de fogo. Apenas três peças de frente respondem por 36% de todo o valor do grupo cruzeirense:
- Kaio Jorge: Avaliado em € 26 milhões, é o grande ativo do clube.
- Gerson: Com valor de mercado na casa dos € 20 milhões (após custar pesados € 27 milhões em uma operação ousada para os padrões nacionais).
- Matheus Pereira: O maestro do meio-campo sustenta um valuation de € 14 milhões.
A diferença entre o valor do elenco e a instituição
Para o mercado corporativo, no entanto, é fundamental traçar uma linha divisória para evitar ruídos contábeis. A cifra que beira a marca de R$ 1 bilhão reflete estritamente o valor somado dos ativos em campo (os jogadores). Não se trata da avaliação institucional (o valuation societário) da própria empresa Cruzeiro SAF.
Ainda assim, o dado não deixa de ser o principal termômetro de ambição do projeto esportivo. Em um Campeonato Brasileiro onde o valor da folha e do elenco costuma andar de mãos dadas com a briga por títulos, o Cruzeiro deu seu recado mais claro. O clube não entrou no mercado apenas para participar, mas para ditar as regras no topo da cadeia alimentar do futebol nacional.
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