O Cruzeiro já trata Walace como nome de saída, e a pressa faz sentido não só esportivamente. Depois do corte por indisciplina às vésperas da estreia na Libertadores — o volante descumpriu norma de conduta ao desrespeitar um companheiro —, a diretoria decidiu buscar outro destino para o jogador. Na prática, a Raposa tenta transformar um ativo que perdeu espaço em margem para reorganizar a folha e a janela do meio do ano.
Quanto Walace vale hoje no mercado
No papel, Walace ainda não é um ativo pequeno. O Transfermarkt o avalia em € 3 milhões (cerca de R$ 17,9 milhões), com contrato até 31 de dezembro de 2028. O problema está na diferença entre o valor atual e o investimento feito para trazê-lo da Udinese: o clube pagou cerca de € 6 milhões em 2024 (entre R$ 36 milhões e R$ 40 milhões). Uma venda agora tende a significar recuperação parcial, não integral, do aporte feito pela SAF.
O salário que pesa na conta da Raposa
O valor mensal de Walace não foi oficialmente divulgado, mas levantamentos de folha salarial feitos pelo Moon BH o colocam na faixa de R$ 680 mil por mês. Como esse número é estimado, precisa ser tratado com cautela. Ainda assim, ele ajuda a entender por que a saída serviria para aliviar a folha: se a faixa estiver próxima da realidade, o Cruzeiro poderia economizar mais de R$ 4 milhões no segundo semestre apenas em salário-base, além de abrir espaço para realocar verba em posições mais urgentes.
Quem já apareceu no radar por Walace

O cenário é mais concreto do que parece. Nos bastidores, o clube recebeu consultas de times brasileiros e do exterior. Entre os interessados que já noticiamos estão o Grêmio, além de clubes italianos e espanhóis — com Getafe e Girona aparecendo em sondagens de setembro de 2025, embora o jogador tenha optado por seguir em Belo Horizonte naquele momento.
Isso sugere uma trilha clara: se houver proposta nos próximos meses, ela tende a vir de Brasil, Itália ou Espanha — os três mercados com histórico de consulta mais recente pelo perfil do volante.
Como a venda pode ajudar a janela do meio do ano
A venda de Walace sozinha não bancará uma janela agressiva. Mas pode ajudar em dois pontos importantes. O primeiro é caixa: se o Cruzeiro conseguir algo próximo do valor de mercado atual, recupera parte do investimento e reduz prejuízo contábil. O segundo é folha: a saída abre espaço para reinvestir em um nome mais alinhado ao momento de Artur Jorge.
Nos bastidores, o clube já sinalizava abertura para trabalhar com empréstimo com opção de compra, justamente para acelerar a saída e destravar o elenco. Depois do episódio disciplinar, a tendência é que a régua de exigência caia um pouco para viabilizar acordo mais rápido — o que transforma uma punição em uma oportunidade de mercado que o Cruzeiro precisa aproveitar bem.