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Cruzeiro vai trocar Tite por Filipe Luís? Entenda os bastidores e o “alerta Gabigol”

A demissão de Filipe Luís do Flamengo, poucas horas após uma histórica goleada por 8 a 0 e ostentando quase 70% de aproveitamento, abriu um cenário raríssimo no mercado da bola. Um técnico jovem, campeão e com ideias modernas está livre. Imediatamente, os olhares de parte do mercado se voltaram para Belo Horizonte, onde o Cruzeiro de Tite atravessa um início de Campeonato Brasileiro sob forte turbulência e cobranças internas de Pedrinho BH.

A pergunta que ecoa nas redes sociais é inevitável: se Tite não resistir à pressão, Filipe Luís é um alvo real para a Toca da Raposa? A resposta exige olhar para os bastidores financeiros e políticos da SAF cruzeirense.

O encaixe financeiro e o “Alerta Gabigol”

Se a crise de resultados no Cruzeiro atingir o limite, a troca faria sentido por diversos ângulos. Financeiramente, não haveria um salto na folha: Tite ganha na faixa de R$ 2,5 milhões mensais, enquanto o pacote de Filipe Luís no Flamengo rondava os R$ 2,1 milhões.

Além disso, há o peso da gestão de pessoas. É de conhecimento público que Gabigol — hoje emprestado ao Santos — alertou Pedrinho BH no passado, pedindo para o Cruzeiro não contratar Tite devido ao desgaste de relacionamento que tiveram no Flamengo.

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

O atacante chegou a exaltar a diferença de tratamento e diálogo que tinha com Filipe Luís. Se o diagnóstico da SAF apontar que o problema atual na Toca é de “clima” e gestão de elenco, o ex-flamenguista surge como o antídoto ideal para o que Gabigol já havia avisado.

As barreiras que seguram Tite

Apesar do apelo, o cenário atual exige cautela. Tite possui contrato até o fim de 2026, e demiti-lo custaria uma multa — cartucho que uma SAF só costuma queimar quando há risco de perda de objetivos vitais (como vagas em copas ou rebaixamento). Mais do que isso, às vésperas da decisão do Campeonato Mineiro, a diretoria sustenta apoio público ao atual comandante.

Do lado de Filipe Luís, a busca por estabilidade após o “moedor de carne” da Gávea pode fazê-lo aguardar um projeto menos turbulento, ou até mesmo olhar para o mercado europeu.

A escolha entre projeto e reação

Para que a “sombra” de Filipe Luís se materialize na Toca, o Cruzeiro precisaria combinar uma sequência desastrosa no Brasileirão com uma ruptura clara de vestiário. A gestão de Pedrinho BH quer colocar o clube na primeira prateleira, e isso exige escolhas baseadas em convicção, não apenas em reação.

Filipe Luís representa um projeto ousado e moderno, mas exigi-lo agora significa pagar o alto preço político e financeiro de abortar o plano Tite tão cedo. A questão central na mesa da SAF não é se o Cruzeiro “consegue” contratar Filipe, mas se está disposto a trocar a previsibilidade pragmática de Tite por uma aposta que pode tanto consagrar quanto explodir a temporada.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.