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Cruzeiro dá ultimato de R$ 2,5 milhões e define o jogo que sela a demissão ou a glória de Tite

O clima azedou de vez na Toca da Raposa. Após o frustrante empate por 1 a 1 contra o Corinthians no Mineirão, pela 4ª rodada do Brasileirão, a diretoria do Cruzeiro tomou uma decisão drástica sobre o futuro da comissão técnica. O Campeonato Mineiro deixou de ser apenas uma taça regional e virou o “plebiscito” definitivo para a permanência de Tite.

A leitura nos bastidores é fria e calculista: se o título estadual não vier para encerrar o jejum que dura desde 2019, a troca de comando passa a ser o cenário número um. Os gritos de “Adeus, Tite” ecoando nas arquibancadas do Mineirão foram o estopim para a diretoria traçar a linha de corte do projeto.

A pressão pela demissão ganha corpo por uma combinação letal de fatores financeiros e contratuais. Segundo apurações de mercado, o custo mensal da comissão de Tite gira na casa dos R$ 2,5 milhões. Quando o time não entrega futebol, essa cifra astronômica vira munição política imediata dentro do clube.

O detalhe que facilita a vida da SAF cruzeirense em caso de ruptura: o vínculo atual não possui multa rescisória. Isso reduz drasticamente o custo de uma demissão e aumenta o apetite dos dirigentes para apertar o botão de pânico caso o time fracasse no Estadual.

O “Tudo ou Nada” Tem Data Marcada

O caminho de Tite para a salvação (ou para a guilhotina) é curto e perigoso. O Cruzeiro decide a vaga na grande final neste sábado (28), às 18h30, contra o Pouso Alegre no Mineirão. Como venceu a ida no Manduzão por 2 a 1, a Raposa joga pelo empate.

O verdadeiro terror, no entanto, mora na final. O Campeonato Mineiro de 2026 voltou a ser disputado em jogo único, marcado para o dia 8 de março. Serão 90 minutos onde um erro individual, uma expulsão ou um pênalti mal marcado podem custar não apenas a taça, mas o cargo do ex-treinador da Seleção Brasileira.

A Tática que Não Engrena

A tentativa de Tite para pacificar o ambiente esbarra no campo. O treinador montou uma espinha dorsal de controle e construção por dentro, usando Matheus Pereira como cérebro, Gerson como motor, além de Lucas Silva e Romero na sustentação.

O problema é a incapacidade de matar os jogos. O roteiro contra o Corinthians foi o resumo da temporada até aqui: o time joga bem em recortes, sai na frente, recua, cede o empate e sai de campo com a narrativa de “mais um jogo que escapa pelas mãos”.

A questão na Toca da Raposa não é apenas se Tite “pode cair”, mas sim o modelo de gestão de crise que o Cruzeiro escolheu para 2026. Transformar a final de um Campeonato Estadual em um vestibular de 90 minutos para validar um projeto inteiro é assumir um risco absurdo.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.