O meia Arrascaeta, hoje no Flamengo, decidiu abrir o jogo sobre seu passado na Toca da Raposa. Em entrevista recente, o uruguaio relembrou sua chegada ao Cruzeiro em 2015 e fez um mea culpa surpreendente: admitiu que teve atitudes de “rebeldia” e imaturidade, chegando a boicotar treinos por não aceitar o banco de reservas na época de Vanderlei Luxemburgo.
O relato expõe um lado dos bastidores que a torcida celeste desconfiava, mas não tinha confirmação. Arrascaeta detalhou como sua insatisfação se transformava em “sabotagem” tática durante as atividades na Toca II.
“Não Vou Passar Pra Ninguém”
O relato de Arrascaeta mostra um jogador que não lidava bem com a hierarquia. “Já fiz muita besteira, principalmente no Cruzeiro, quando eu era mais novo. Quando eu não gostava de uma coisa, fazia o que queria”, confessou.
O alvo principal era o técnico Luxemburgo, que costumava deixá-lo no banco. A vingança do gringo acontecia nos coletivos: “Eu falava para um parceiro argentino: ‘Hoje vai ser um jogo-treino, você só joga a bola em mim, eu não vou passar para ninguém’. Aí tentava driblar todo mundo, os caras ficavam bravos comigo.”
Bagunça Tática Proposital no Cruzeiro
A confissão vai além do individualismo. Arrascaeta admitiu que mudava as jogadas ensaiadas de propósito para desafiar a comissão técnica.
- Escanteios: “No time reserva, eu tinha que bater escanteio e tentava fazer gol olímpico” (ao invés de cruzar para a área).
- Faltas: “Quando tinha falta, chutava no gol”.
Hoje, mais maduro, ele diz que olha para trás e fica “impressionado” com as atitudes que tinha aos 20 anos, recém-chegado do Defensor Sporting.
A confissão de Arrascaeta explica muita coisa. O torcedor do Cruzeiro lembra que, em 2015, o time oscilou muito e o uruguaio demorou a engrenar como protagonista absoluto.
Saber que ele entrava em campo no treino disposto a “não passar a bola” e a “chutar direto” por birra de banco mostra que o Cruzeiro teve que ter muita paciência para lapidar o craque. O talento sempre foi inegável, mas a cabeça, pelo visto, demorou a acompanhar o futebol. Para a Nação Azul, fica a mistura de sentimentos: a gratidão pelos títulos posteriores (Copas do Brasil) e a confirmação de que a relação sempre foi pautada por uma personalidade difícil nos bastidores.