HomeEsportesCruzeiroPor que o Cruzeiro não paga mais R$ 150 mil para ter...

Por que o Cruzeiro não paga mais R$ 150 mil para ter um CEO

No modelo associativo, o presidente era um cargo político e, muitas vezes, não remunerado. Na SAF, o jogo mudou. O Cruzeiro funciona hoje como uma empresa de entretenimento e performance, onde o cargo de CEO (Chief Executive Officer) é ocupado por profissionais de mercado com salários que refletem a responsabilidade sobre orçamentos bilionários. Mas agora o clube não tem mais o cargo.

A discussão sobre esses valores ganhou as redes sociais quando o atual dono da SAF, Pedro Lourenço, revelou publicamente que a gestão anterior pagava R$ 150 mil por mês ao seu principal executivo. Embora o valor assuste à primeira vista, ele representa cerca de R$ 1,8 milhão por ano — uma fração do que o clube gasta em uma única contratação mal avaliada.

Por que pagar R$ 150 mil a um CEO faz sentido (financeiro)?

No futebol, o custo do amadorismo é infinitamente superior ao salário de um bom executivo. A lógica de Pedro Lourenço e de outros donos de SAF no Brasil, como John Textor e Ronaldo, baseia-se em três pilares:

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
  • A Regra do “Erro Zero”: Um CEO experiente tem a missão de filtrar as indicações de treinadores e empresários. Se ele evita a contratação de um atleta de R$ 500 mil mensais que não rende, ele economiza ao clube R$ 6 milhões em um único ano. Ou seja: ele se paga três vezes com uma única decisão correta.
  • Controle de Comissões: Um dos pontos mais criticados por “Pedrinho” foram as altas comissões pagas a intermediários. O CEO atua como o compliance da empresa, garantindo que o dinheiro da SAF não “vaze” em negociações obscuras.
  • Gestão de Processos: Desde o scout (busca de jogadores) até o departamento médico, o CEO profissionaliza a estrutura para que o clube não dependa de “tiros no escuro”.

Por que o Cruzeiro não tem mais um CEO?

O cargo era exercido por Alexandre Mattos, que deixou o clube. Fato é que, hoje, as SAFs do Cruzeiro e Atlético possuem uma grande influência de seus donos, ou dos filhos dos donos – Rafael Menin e Pedro Junior.

Desta forma, não faz mais sentido contar com um CEO figurativo quando, na verdade, as decisões importantes são tomadas por eles mesmos. Só que no Galo o cargo segue ativo, agora ocupado por Pedro Daniel. Se na Toca da Raposa a decisão é de não manter alguém na posição, os atleticanos se blindam com um CEO como escudo para críticas – a cara à tapa.

Fhilipe Pelájjio
Fhilipe Pelájjiohttps://moonbh.com.br/fhilipe-pelajjio/
Publicitário, jornalista e pós-graduado em marketing, é editor do Moon BH e do Jornal Aqui de BH e Brasília. Já foi editor do Bhaz, tem passagem pela Itatiaia e parcerias com R7, Correio Braziliense e Estado de Minas. Especialista na cobertura de futebol, com foco em Atlético, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo há mais de 10 anos.