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Cruzeiro aceita R$ 31 milhões, vende campeão pra Europa e segura “fatia de ouro”

A torcida do Cruzeiro mal teve tempo de curtir a joia no profissional, e o adeus já está marcado. A diretoria celeste encaminhou a venda do meia Cauan Baptistella, de apenas 18 anos, para o Metalist 1925, da Ucrânia. O negócio está nos detalhes finais e vai render € 5 milhões (cerca de R$ 30,9 milhões) aos cofres da Raposa.

Mas o “pulo do gato” da SAF está no contrato: o clube garantiu a manutenção de 30% dos direitos econômicos, apostando alto em uma revenda milionária no futuro.

A Estratégia da SAF do Cruzeiro: Caixa Agora, Lucro Depois

Baptistella, que tem passaporte italiano (nasceu em Benevento), é visto como um ativo “tipo exportação”. Ele havia acabado de renovar contrato até 2030, o que deu ao Cruzeiro poder de barganha.

  • O Valor: R$ 30,9 milhões à vista é um montante considerável para um jogador com pouca rodagem no time de cima.
  • A Fatia de Ouro: Ao segurar 30%, o Cruzeiro projeta que Cauan usará o Metalist como trampolim para ligas maiores da Europa. Se ele for vendido depois por € 20 ou € 30 milhões, a Raposa lucra novamente sem fazer esforço.

O Pacote de Vendas de R$ 117 Milhões

A saída de Baptistella não é isolada. Após investir pesado em reforços “prontos”, a gestão de Pedro Lourenço virou a chave para equilibrar as contas. O clube entrou em uma fase agressiva de vendas de jovens (como Kauã Prates e Ryan Guilherme). A projeção interna é arrecadar cerca de € 19 milhões (R$ 117 milhões) com esse pacote de saídas, garantindo fluxo de caixa para sustentar a folha salarial estelar do elenco principal.

Adeus Precoce

Foto: Gustavo Martins/Cruzeiro

Para o torcedor, fica o gosto de “quero mais”. Cauan foi destaque no título da Copinha e já estava integrado ao elenco principal, tendo inclusive dado assistência no Mineiro. Porém, a proposta ucraniana e a facilidade do passaporte europeu aceleraram o processo, transformando a promessa em dinheiro antes mesmo de ele virar ídolo.

Essa venda tem a assinatura clássica de uma SAF madura: entra dinheiro imediato (€ 5 mi) e, ao mesmo tempo, o clube se protege com 30% mirando a segunda transferência — que é onde, normalmente, o clube brasileiro “perde o bonde”.

O risco é esportivo e de narrativa: vender cedo demais um campeão da Copinha que a torcida queria ver jogar dói na arquibancada. Mas a lógica financeira é irrefutável. O Cruzeiro precisa pagar a conta dos “medalhões” contratados, e a base serve justamente para isso. A Raposa está apostando que Baptistella vai estourar na Europa e que esses 30% retidos valerão mais do que os gols que ele faria no Mineirão agora. É frio, é calculado, é negócio.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de anos acompanha de perto o futebol nacional.