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Como Cruzeiro e Pedrinho vão usar dinheiro da super venda de Kauã Prates ao Dortmund

O Cruzeiro está prestes a fechar uma das negociações mais importantes de sua história recente. A diretoria celeste encaminhou a venda do lateral-esquerdo Kauã Prates, de apenas 17 anos, para o Borussia Dortmund (Alemanha). O valor da operação gira em torno de € 12 milhões (cerca de R$ 75 milhões), podendo aumentar com metas e bônus. Além da cifra alta, a Raposa garantiu um ganho técnico: o jogador só se apresenta ao clube europeu em agosto, quando completa 18 anos, permanecendo à disposição de Tite no primeiro semestre.

Por que essa venda é histórica para o Cruzeiro?

Embora não seja a maior venda absoluta de todos os tempos, o valor de € 12 milhões coloca Kauã no topo da lista de transferências do clube. Mas o “pulo do gato” da SAF está nos detalhes contratuais:

  1. Mais-Valia: O Cruzeiro manteve um percentual sobre o lucro de uma futura revenda. Considerando que o Dortmund é famoso por vender jogadores por fortunas (como Haaland e Bellingham), essa cláusula pode valer ouro no futuro.
  2. Permanência: Segurar o atleta até agosto permite uma transição suave, sem perder uma peça de elenco imediatamente.

Para onde vai o dinheiro? (O Plano Pedrinho)

O torcedor que espera ver os R$ 75 milhões sendo reinvestidos integralmente em contratações bombásticas deve moderar a expectativa. Segundo o planejamento da gestão Pedrinho BH, o recurso tem destinos estratégicos para sustentar o projeto a longo prazo:

Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro
  • Equilíbrio de Caixa: Após investir mais de R$ 500 milhões em reforços desde meados de 2024, a SAF precisa começar a gerar receitas próprias robustas. Essa venda serve para pagar contas do dia a dia (folha, impostos, parcelas de compras anteriores) e evitar novo endividamento.
  • Manutenção do Elenco: A venda de um jovem promissor dá fôlego financeiro para que o Cruzeiro não precise vender seus titulares absolutos (como Matheus Pereira ou William) no meio da temporada, atendendo a um pedido direto do técnico Tite.
  • Sustentabilidade: A meta é tornar o clube autossustentável em 6 a 8 anos. Vendas desse porte são os pilares para que a conta feche sem depender eternamente de aportes do dono.

Ainda cabe reforço na Toca da Raposa?

Sim, mas com critério. O dinheiro em caixa dá ao Cruzeiro “poder de fogo” para aproveitar oportunidades de mercado pontuais — aquele jogador pronto que Tite identificar como carência. A diferença é que, agora, o clube não precisa agir no desespero, e sim na certeza.

Vender para o Borussia Dortmund é um atestado de competência para a base do Cruzeiro. Os alemães são os melhores do mundo em garimpar talentos jovens. Ao fechar esse negócio por R$ 75 milhões mantendo percentual de revenda, o Cruzeiro faz uma operação de “manual de SAF”: valoriza o ativo, faz caixa alto, protege o futuro e ainda segura o jogador por mais seis meses. Se Pedrinho BH usar esse dinheiro para equilibrar as contas e segurar os titulares, a venda de Kauã terá valido por dois reforços de peso.

Naiara Souza
Naiara Souza
Jornalista formada há quase dez anos pela Universidade Estácio de Sá, cobre o futebol há mais de cinco anos, focada em Cruzeiro, Atlético, Palmeiras e Flamengo, e também as notícias mais importantes sobre Belo Horizonte e Minas Gerais.