O Flamengo rondou, o mercado especulou, mas o “golpe” não saiu do papel. O Cruzeiro tratou de encerrar qualquer sonho rubro-negro (ou de rivais) com uma resposta de clube grande: encaminhou a renovação de contrato do meia Matheus Pereira até o fim de 2028. A operação envolve uma valorização salarial robusta e a consolidação do camisa 10 como a face do projeto da SAF.
O timing da diretoria celeste foi cirúrgico e movido pela urgência: com vínculo anterior válido apenas até junho de 2026, o jogador já havia entrado na “zona de risco”, podendo assinar um pré-contrato com qualquer outra equipe e sair de graça em seis meses. A blindagem foi, portanto, uma mistura de estratégia financeira com instinto de sobrevivência.
A ameaça do Flamengo era real e baseada em um histórico recente de tentativas. Em 2025, os clubes chegaram a discutir uma troca envolvendo Matheus e Luiz Araújo, que terminou frustrada e com troca de notas oficiais, azedando a relação institucional. Com a renovação, o Cruzeiro não apenas segura seu melhor jogador, mas também passa um recado claro ao Rio de Janeiro e ao mercado nacional: a época em que a Raposa servia de “vitrine” para rivais com maior poderio financeiro ficou para trás.
A Muralha do Cruzeiro: Matheus e Kaio Jorge não aceitaram o Flamengo
A renovação do camisa 10 faz parte de um movimento coordenado de defesa de território. O Cruzeiro decidiu que, nesta janela, não venderia seus pilares para o mercado interno. Antes de fechar com Matheus, o clube já havia estendido o contrato do atacante Kaio Jorge até 2030, recusando inclusive sondagens do próprio Flamengo.

Ao segurar o artilheiro e o cérebro do time em sequência, a SAF de Pedro Lourenço emite um sinal de força: o clube tem caixa e ambição para manter um elenco de nível internacional, resistindo até mesmo quando o assédio vem de potências econômicas ou do exterior (como a quase venda de Matheus ao Zenit em 2025, que serviu de lição para a diretoria não deixar mais contratos chegarem perto do fim).
Para o Flamengo há uma dupla frustração, mas um sentido esportivo para os atletas: vale mais manter o protagonismo em BH do que entrar em uma concorrência de estrelas no Rio de Janeiro.
O Fim do Risco “Pré-Contrato”
A maior vitória do Cruzeiro nessa operação foi matar a possibilidade do pré-contrato. Se a renovação não saísse agora em janeiro, Matheus Pereira estaria livre para assinar com outro clube e sair de graça no meio do ano.
Isso colocaria o Cruzeiro de joelhos na mesa de negociação. Com o novo vínculo até 2028, a chave do cofre voltou para a mão da diretoria: se alguém quiser tirar o meia de Belo Horizonte agora, terá que pagar a multa rescisória integral ou negociar nos termos da Raposa, sem a pressão do relógio contra o clube mineiro.
Análise Moon BH: A Nova Ordem
O Cruzeiro entendeu uma regra básica do futebol de elite: o mercado só respeita quem não precisa vender. A renovação de Matheus Pereira até 2028 é mais do que um “sim” ao craque; é um “não” sonoro ao Flamengo e ao status de coadjuvante.
O “golpe” do Flamengo falhou porque encontrou uma barreira que há muito tempo não se via em BH: um clube organizado, com dinheiro e, principalmente, com orgulho próprio. O clube terá de investir em Kaio Jorge em uma outra oportunidade ou mexer pesado no bolso.