A negociação mais ambiciosa da janela do Cruzeiro ganhou um capítulo presencial e decisivo neste sábado (3). Marcão Silva, pai e empresário do meio-campista Gerson, desembarcou em Belo Horizonte para uma rodada de reuniões “olho no olho” com a cúpula celeste. A viagem tem um objetivo claro: alinhar a estratégia final para convencer o Zenit a liberar o jogador.
O clube russo, no entanto, continua sendo o grande obstáculo, mantendo uma pedida inicial na casa dos € 40 milhões (cerca de R$ 260 milhões), valor considerado fora da realidade para o futebol brasileiro.
Segundo a Rádio Itatiaia, Marcão chegou pelo aeroporto de Confins e tem agenda cheia com os homens fortes do futebol do Cruzeiro: o diretor executivo Bruno Spindel e o vice-presidente Pedro Junio. O dono da SAF, Pedro Lourenço (Pedrinho), embora esteja em viagem com a família, monitora cada passo da conversa.
A presença física do representante em Minas Gerais é o sinal mais forte de que o acerto entre clube e jogador está maduro, restando agora a “guerra” diplomática e financeira com a Rússia.
Spindel, Tite e o “Projeto Copa”: As armas do Cruzeiro
O encontro em BH não é apenas sobre números, é sobre política e relacionamento. Bruno Spindel, recém-chegado à Toca, possui ótima relação com Marcão desde os tempos de Flamengo, o que facilita o diálogo. Além disso, o técnico Tite é peça fundamental no tabuleiro.
O treinador mantém contato com Gerson e vende o “projeto esportivo”: ser o pilar do Cruzeiro para garantir vaga na Seleção Brasileira visando a Copa do Mundo. Esse argumento tem peso. O estafe do atleta entende que estar no Brasil, sob o comando de um técnico que confia nele, aumenta exponencialmente as chances de convocação, algo que o isolamento na liga russa dificulta.
Salário de R$ 3 milhões/mês: A outra ponta do iceberg
Além da taxa de transferência, o pacote Gerson envolve um custo mensal altíssimo. Na Rússia, o volante recebe salários na casa de € 6 milhões por ano livres de impostos, o que daria mais de R$ 3 milhões mensais no Brasil.

O portal Terra lembra que, para fechar a conta, o Cruzeiro precisará de um desenho financeiro robusto que sustente esse padrão salarial sem implodir a folha de pagamento. A reunião em BH serve justamente para ajustar esses ponteiros: até onde o Cruzeiro pode ir no salário e até onde Gerson aceita flexibilizar para realizar o desejo de voltar.
Análise Moon BH: A Cartada Final
A vinda do pai de Gerson para BH transforma a especulação em negociação de gente grande. Ninguém atravessa o oceano e pega avião para “tomar café” se não houver chance real de negócio. O Cruzeiro já tem o “sim” implícito do jogador. O problema é que o Zenit não se move por emoção ou projeto de Copa do Mundo, se move por dinheiro.
Se o Cruzeiro não apresentar garantias bancárias sólidas e um plano de pagamento que os russos considerem seguro, a viagem de Marcão será apenas diplomática. O desafio é fazer o Zenit aceitar receber parcelado o que eles pagaram à vista. É difícil, mas a presença do estafe na Toca mostra que a Raposa está disposta a brigar até o último centavo.