O Atlético começa nesta quarta-feira (14), às 19h, diante do Montevideo City Torque, uma semifinal que pode levá-lo a uma marca inédita na história da Copa Sul-Americana. Vice-campeão em 2025, o Galo tenta se tornar o primeiro clube derrotado em uma decisão a disputar novamente a final na temporada seguinte.
Desde a criação do torneio, em 2002, apenas o Boca Juniors conseguiu chegar a duas finais consecutivas. O clube argentino, entretanto, venceu as edições de 2004 e 2005. Nenhum dos vice-campeões repetiu a presença na decisão no ano imediatamente posterior.
A diferença pode parecer pequena, mas ajuda a dimensionar a campanha atleticana. Enquanto a maioria das equipes que perderam uma final não conseguiu repetir o desempenho, o Atlético está a dois jogos de demonstrar que o vice-campeonato do ano passado não representou uma oportunidade isolada.
O primeiro confronto será disputado na Arena MRV, em Belo Horizonte. A partida de volta está marcada para 21 de outubro, no Estádio Centenário, em Montevidéu, conforme o calendário confirmado pelo Atlético.
Boca Juniors é o único clube que chegou a duas finais seguidas
O histórico da Sul-Americana mostra como é difícil permanecer entre os finalistas de uma competição eliminatória por duas temporadas consecutivas.
O Boca Juniors foi campeão em 2004, quando superou o Bolívar, da Bolívia, e voltou à decisão em 2005, conquistando o bicampeonato diante do Pumas, do México.
Desde então, a competição teve campeões e vice-campeões de diferentes países, mas não repetiu aquela sequência de finais consecutivas.
O Atlético tem a possibilidade de igualar o Boca em número de decisões seguidas e, ao mesmo tempo, estabelecer uma marca diferente: voltar à final imediatamente depois de perder o título.
Esse recorte transforma a semifinal em uma oportunidade de avaliar a continuidade do trabalho competitivo do clube. Chegar à decisão uma vez exige uma campanha consistente; repetir o resultado na temporada seguinte significa atravessar novamente uma fase de grupos e diferentes confrontos eliminatórios.
A eventual classificação também reforçaria a presença do Atlético entre os protagonistas recentes da competição, independentemente do resultado da final.
Vice para o Lanús deixou uma oportunidade em aberto
A campanha de 2025 terminou com uma derrota para o Lanús, da Argentina, em Assunção, no Paraguai. Depois de um empate sem gols durante o tempo regulamentar e a prorrogação, a decisão foi para os pênaltis, e o time argentino ficou com o título.
O resultado deixou o Atlético sem sua primeira conquista da Sul-Americana, mas também estabeleceu uma referência para a temporada seguinte. O clube já sabia o que era disputar uma decisão do torneio e quais dificuldades precisaria superar para chegar novamente àquela etapa.
A Conmebol, ao apresentar a campanha atleticana de 2026, destacou justamente a tentativa de transformar a frustração do ano anterior em uma nova oportunidade.
A trajetória atual mostra que o caminho esteve longe de ser simples. O Galo encerrou a fase de grupos na liderança de sua chave, com dez pontos, depois de três vitórias, um empate e duas derrotas.
Nas oitavas de final, eliminou o Red Bull Bragantino. Nas quartas, precisou reverter uma desvantagem de dois gols diante do Santos e confirmar a classificação nos pênaltis.
A sequência oferece uma dimensão importante à possibilidade de disputar outra final. O Atlético não avançou sem dificuldades; precisou responder a resultados adversos para continuar na competição.
Atlético terá de superar uma diferença criada ainda na fase de grupos
A semifinal apresenta uma particularidade que pode influenciar diretamente o caminho do Galo. O Montevideo City Torque somou 13 pontos na fase de grupos, três a mais do que o Atlético. Por causa dessa diferença, o clube uruguaio conquistou o direito de disputar a segunda partida em casa.
O Moon BH já mostrou, na matéria “Atlético terá de mudar o roteiro que fez da Arena MRV um palco de classificações”, que a mudança na ordem dos mandos interfere em um padrão recente do clube mineiro.
Nas quartas de final, por exemplo, o Atlético conseguiu reagir diante do Santos jogando em Belo Horizonte. Agora, a equipe precisará construir uma vantagem em casa ou buscar a classificação no Uruguai.
A ordem dos confrontos não determina o resultado, mas modifica as circunstâncias da disputa. Um desempenho favorável na Arena MRV pode reduzir a pressão no jogo de volta, enquanto um resultado adverso obrigaria o Galo a reagir fora de seus domínios.
Para uma equipe que tenta repetir uma final continental, essa diferença de mando pode ganhar importância durante os 180 minutos da semifinal.
City Torque também chega diante de uma oportunidade inédita
O adversário uruguaio não possui a tradição internacional do Atlético, mas vive a melhor campanha continental de sua história. Criado em 2007 e integrante do City Football Group desde 2017, o Montevideo City Torque alcançou pela primeira vez uma semifinal de competição organizada pela Conmebol.
O Moon BH apresentou a trajetória do clube na reportagem “Atlético enfrentará estreante em semifinal: quem é o Montevideo City Torque”.
O time uruguaio chegou à fase decisiva depois de liderar seu grupo, eliminar o Tigre, da Argentina, e protagonizar uma reação diante do Cienciano, do Peru.
Nas quartas, perdeu por 2 a 0 fora de casa, mas venceu por 3 a 0 em Montevidéu, com o gol decisivo nos acréscimos. O resultado demonstra que o Torque também possui experiência recente em situações de pressão. A equipe já precisou reverter uma desvantagem expressiva para permanecer na competição.
Isso torna a semifinal um confronto entre duas equipes que chegam embaladas por classificações conquistadas depois de resultados adversos, embora com trajetórias e históricos bastante diferentes.
Atlético tenta transformar uma campanha isolada em sequência histórica

A possibilidade de disputar duas finais consecutivas acrescenta um significado especial à temporada atleticana.
O vice-campeonato de 2025 poderia permanecer como o ponto mais alto de uma campanha que terminou sem título. Uma nova classificação, entretanto, colocaria o Atlético em um grupo extremamente restrito de clubes que conseguiram alcançar decisões consecutivas da Sul-Americana.
Mais do que igualar o Boca Juniors, o Galo pode criar um precedente para equipes que perderam uma final e tentaram retornar imediatamente à disputa pelo troféu.
A diferença entre os dois cenários será definida dentro de campo. O Atlético precisa superar o Montevideo City Torque em dois confrontos e confirmar a vaga na decisão marcada para 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia.
A partida desta quarta-feira não encerra a disputa, mas representa a primeira oportunidade de construir o resultado necessário. Para o Galo, a classificação significaria disputar novamente o título que escapou em 2025 e alcançar uma marca que nenhum outro vice-campeão da competição conseguiu em sua história.


