O Atlético recebeu a penúltima parcela do acordo com o ex-atacante Fred, mas ainda terá de esperar um ano para concluir o cronograma de pagamentos. A transferência mais recente corresponde à prestação de R$ 1,6 milhão prevista para setembro de 2026, enquanto o último vencimento está marcado para 30 de setembro de 2027.
A informação foi publicada nesta segunda-feira, 5 de outubro, pelo ge. O pagamento atualiza uma história que começou com a saída do centroavante para o Cruzeiro, em dezembro de 2017, e continuou produzindo consequências financeiras muito depois do encerramento de sua passagem pelo clube.
Quanto o Atlético ainda tem a receber
Segundo a reportagem do ge sobre o andamento do acordo, Fred vem cumprindo os vencimentos estabelecidos. Depois da prestação paga na semana passada, resta uma parcela de R$ 1,6 milhão no calendário divulgado.
Esse valor representa a etapa final do parcelamento, e não uma nova indenização negociada agora. O fato recente é o cumprimento de mais um compromisso do acerto firmado em 2023, sem anúncio de renegociação ou antecipação do último pagamento.
Para o torcedor, a diferença ajuda a dimensionar a notícia. O Atlético recebeu uma quantia prevista, mas não encerrou todos os recebimentos relacionados ao caso; a conclusão dessa etapa continua programada para setembro do próximo ano.
Por que o acordo foi anunciado acima de R$ 20 milhões
Quando apresentou a solução para a disputa, em julho de 2023, o Atlético informou que o entendimento tinha “expressão econômica superior a 20 milhões de reais”. Esse total reunia componentes diferentes, que precisam ser separados para compreender o benefício obtido pelo clube.
Conforme o comunicado oficial divulgado pelo Atlético, o pagamento acertado era de R$ 17,5 milhões. Além disso, Fred abriu mão de discutir verbas rescisórias de sua passagem pelo Galo, calculadas em R$ 2,8 milhões.
A soma desses dois componentes chega a R$ 20,3 milhões. Contudo, a renúncia à discussão trabalhista não equivale a um depósito adicional: ela integra o resultado econômico da negociação, enquanto os R$ 17,5 milhões correspondem ao montante previsto em pagamentos.
O clube também informou, naquele momento, que o recebimento seria dividido entre uma entrada e sete parcelas. A estrutura permitia encerrar o litígio por consenso e estabelecer um calendário para a transferência dos recursos, em vez de manter indefinida a discussão entre as partes.
A origem está na transferência para o rival

A cobrança nasceu de uma condição incluída na rescisão de Fred com o Atlético. O documento previa indenização de R$ 10 milhões caso o atacante assinasse com o Cruzeiro antes de 31 de dezembro de 2018.
O movimento ocorreu ainda em dezembro de 2017. Na cobertura da negociação à época, o UOL registrou que o jogador deixou o Galo antes do término do vínculo e acertou sua transferência para a equipe celeste, dando origem à discussão sobre a cláusula.
Por isso, os R$ 10 milhões frequentemente associados ao episódio representam o valor original da previsão contratual. Já os R$ 17,5 milhões pertencem ao entendimento anunciado anos depois, quando as partes decidiram encerrar a disputa.
A passagem do tempo também explica por que o assunto continua aparecendo no noticiário. A saída esportiva foi resolvida naquela janela, mas o desfecho financeiro passou por negociação posterior e por um parcelamento que atravessou diferentes temporadas.
O caso é diferente das cobranças por contratações

O recebimento acontece em um período no qual outras obrigações do Atlético voltaram ao debate. Na semana passada, o Moon BH mostrou que o clube recorre de cobranças superiores a R$ 17 milhões relacionadas a três contratações, em processos distintos do acordo com o ex-centroavante.
Nesse conjunto de disputas, o Galo contesta cobranças feitas por antigos clubes de atletas. No caso de Fred, ocupa a posição de credor e acompanha um cronograma de recebimentos já estabelecido.
A proximidade entre os valores não significa que exista compensação automática entre essas operações. São compromissos com origens, partes e vencimentos próprios, que não devem ser apresentados como se formassem uma única conta.
Para a gestão financeira, a distinção é prática: receber uma parcela não elimina, por si só, uma obrigação assumida em outro negócio. Também não há informação nas fontes citadas de que o pagamento de Fred tenha sido destinado especificamente à quitação dessas cobranças.
O próximo marco conhecido desse acordo permanece, portanto, no calendário de 2027. Até lá, o Atlético terá recebido a penúltima prestação de uma negociação cuja execução financeira se estendeu por anos após a saída do atacante.


