A janela de transferências terminou sem que o Atlético protagonizasse uma venda de € 30 milhões ou € 40 milhões para a Europa. Mesmo assim, negócios realizados a milhares de quilômetros de Belo Horizonte podem colocar cerca de R$ 13,2 milhões nos cofres do clube, graças a jogadores que já nem pertencem ao elenco alvinegro.
Um levantamento publicado pelo UOL, a partir de dados do Transfermarkt, coloca o Galo como o terceiro clube brasileiro com maior valor a receber pelo Mecanismo de Solidariedade da Fifa nesta janela. O Atlético fica atrás apenas do Athletico-PR, com R$ 16,7 milhões, e do Audax, com R$ 15,6 milhões.
O número revela uma fonte de receita diferente da venda tradicional. O Atlético não precisa possuir direitos econômicos sobre esses atletas para ganhar dinheiro quando eles mudam de clube.
Como um jogador que já saiu continua rendendo dinheiro ao Atlético
O Mecanismo de Solidariedade foi criado pela Fifa para remunerar os clubes que participaram da formação de um jogador. Em transferências internacionais, até 5% do valor da operação é reservado e distribuído proporcionalmente às equipes pelas quais o atleta passou entre os 12 e os 23 anos, conforme explica o levantamento sobre os valores destinados aos clubes brasileiros.
Quanto mais tempo o jogador permanece em determinado clube durante essa etapa da carreira, maior pode ser a parcela recebida no futuro. Isso transforma a categoria de base em um ativo capaz de continuar produzindo receita mesmo depois de uma primeira venda.
No ranking da atual janela, o Atlético aparece com R$ 13,2 milhões estimados. Logo atrás estão Vasco, com R$ 13 milhões, Flamengo, com R$ 10,8 milhões, e Santos, com R$ 5,8 milhões.
Para efeito de comparação, o Palmeiras, conhecido nos últimos anos pelas vendas milionárias de sua base, aparece com R$ 2,6 milhões nesse recorte específico. O dado não mede a qualidade geral das categorias de formação, mas mostra quem foi beneficiado pelas transferências internacionais realizadas agora.
Savinho ajuda a explicar a bolada

O exemplo mais evidente é Savinho. Revelado na Cidade do Galo, o atacante deixou o Atlético em 2022 e passou pelo ecossistema do Grupo City antes de chegar ao Manchester City.
Agora, uma nova transferência voltou a movimentar dinheiro para o clube mineiro. Segundo apuração do ge sobre a fatia destinada ao Atlético, o jogador protagonizou uma operação milionária no futebol inglês, capaz de gerar uma nova receita ao Galo por causa do período em que foi formado em Belo Horizonte.
O ge calcula que, inicialmente, o Atlético possui direito a aproximadamente 1,7% da transação por ter participado da formação do atacante. Dependendo dos critérios finais aplicados e das parcelas consideradas pela Fifa, a receita relacionada ao negócio pode ultrapassar R$ 10 milhões.
Isso significa que uma parte expressiva dos R$ 13,2 milhões estimados para o Galo nesta janela pode ser explicada pela trajetória de um atleta negociado definitivamente pelo clube há quatro anos.
Atlético vendeu Savinho por € 6,5 milhões em 2022
Quando Savinho saiu do Brasil, o Atlético recebeu € 6,5 milhões na negociação com o Grupo City. À época, o valor gerou debate porque o atacante era considerado uma das maiores promessas recentes da base alvinegra.
A trajetória posterior aumentou muito a dimensão financeira do jogador. Savinho passou por PSV e Girona, chegou ao Manchester City e continuou valorizado no mercado europeu, algo que mantém o Atlético ligado financeiramente à carreira do atacante mesmo depois da primeira venda.
O Mecanismo de Solidariedade funciona justamente como uma espécie de continuação econômica dessa história. Mesmo sem possuir mais qualquer fatia dos direitos econômicos, o Atlético segue sendo reconhecido como clube formador.
Base vira receita mesmo sem venda direta
O ponto mais interessante dos R$ 13,2 milhões é que esse dinheiro não depende do atual elenco do Atlético. Não é necessário tirar uma peça do time nem negociar um titular durante uma temporada em andamento para produzir essa receita.
Ao mesmo tempo, o valor mostra como uma formação bem-sucedida pode criar uma espécie de efeito financeiro prolongado. Um jogador desenvolvido na Cidade do Galo pode ser vendido uma vez pelo Atlético e continuar rendendo valores em negociações futuras entre outros clubes.
O caso de Savinho é o exemplo mais visível, mas o ranking da janela mostra que esse mecanismo já deixou de ser um detalhe contábil. Entre os clubes brasileiros, apenas Athletico-PR e Audax aparecem com valores superiores aos R$ 13,2 milhões atribuídos ao Atlético.
Para um clube que constantemente busca equilibrar necessidade de investimento esportivo e geração de caixa, existe aí uma conclusão importante: a base pode continuar dando retorno financeiro muito depois de o jogador deixar Belo Horizonte.


