O Atlético transformou em ativo de longo prazo um jogador cuja condição física já havia feito outro clube recuar no mercado. Agora, a trajetória de Ruan Tressoldi ganhou um capítulo fora dos gramados: o zagueiro cobra cerca de R$ 14 milhões do São Paulo na Justiça do Trabalho e acusa o ex-clube de negligência médica durante o período em que esteve no Morumbis.
A audiência realizada nesta terça-feira (18), em São Paulo, terminou sem acordo. A Justiça determinou a realização de uma perícia médica independente para analisar o caso e os documentos apresentados pelas partes. Segundo o UOL, Ruan e São Paulo têm prazo para formular questões ao perito, que deverá produzir um laudo sobre o quadro do jogador e o tratamento recebido.
O processo chama atenção do torcedor atleticano porque a discussão médica antecede justamente a aposta feita pelo Galo. Ruan passou por cirurgia no joelho direito em julho de 2025, pouco depois de encerrar sua passagem pelo São Paulo. Antes de acertar com o Atlético, negociou com o Red Bull Bragantino, mas a transferência não avançou após os exames médicos.
Atlético assumiu um risco que outro clube preferiu evitar
Em sua apresentação no Galo, ainda em 2025, Ruan explicou que os exames realizados no Bragantino haviam apontado o mesmo cenário encontrado posteriormente pelo Atlético. Segundo o defensor, o clube paulista teria ficado receoso de contratar um atleta que vinha de uma cirurgia.
O Atlético tomou a decisão oposta. Contratou o zagueiro por empréstimo junto ao Sassuolo, da Itália, em agosto de 2025, esperou a recuperação e viu o jogador conquistar espaço no time. Ruan participou inclusive dos 120 minutos da final da Copa Sul-Americana daquela temporada e se consolidou entre as opções mais utilizadas da defesa.
O desempenho fez a aposta deixar de ser provisória. Em junho deste ano, o Atlético anunciou a compra definitiva dos direitos federativos do jogador e assinou um novo contrato válido até junho de 2030. Na ocasião do anúncio, o próprio clube tratou Ruan como um dos pilares do sistema defensivo.
Esse retrospecto dá ao caso uma perspectiva diferente para o Galo. O debate judicial é entre Ruan e São Paulo, mas a evolução do atleta em Belo Horizonte mostra como uma avaliação de risco médico pode produzir decisões completamente diferentes no mercado. Um jogador que teve uma negociação interrompida após exames acabou se tornando investimento de longo prazo de outro clube.
O que Ruan alega contra o São Paulo
Na ação, Ruan sustenta que atuou com dores e que exames já indicavam uma lesão no joelho direito. Também afirma que uma cirurgia considerada necessária teria sido adiada, além de citar tratamento fisioterápico que, segundo a acusação, era classificado à época como experimental pelo Conselho Federal de Medicina. Há ainda cobranças relacionadas a seguro e direitos de imagem.
O São Paulo nega as acusações. No processo, o clube afirma que ofereceu acompanhamento contínuo, com exames, fisioterapia e avaliações médicas especializadas, e contesta a alegação de negligência ou agravamento do quadro.
A perícia determinada pela Justiça será, portanto, uma etapa importante para confrontar as duas versões. Até que haja decisão judicial, as acusações seguem em discussão e não representam reconhecimento de responsabilidade por parte do São Paulo.
Para o Atlético, o episódio reforça uma história que já havia chamado atenção no momento da contratação. O Galo aceitou conviver com um risco que afastou outro interessado, recuperou o jogador e, menos de um ano depois, decidiu comprá-lo em definitivo. Independentemente do desfecho da ação, Ruan passou de dúvida médica no mercado a patrimônio esportivo com contrato até 2030.


