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A frase de Marques, ídolo do time, sobre o Atlético: “Esperamos uma melhora tática”

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O retorno do Atlético aos jogos oficiais será acompanhado por uma cobrança que vai além do resultado. Ídolo do clube e atual comentarista, Marques espera encontrar uma equipe mais organizada, entrosada e capaz de apresentar uma evolução clara depois do longo período de treinamentos comandado por Eduardo Domínguez.

Ao analisar a preparação alvinegra para a retomada do Campeonato Brasileiro, o ex-atacante resumiu a expectativa em uma frase direta: “Esperamos uma melhora técnica e tática do Atlético”.

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A avaliação foi publicada por Marques em sua coluna na Itatiaia nesta quinta-feira (16). Para o ex-jogador, o treinador argentino teve uma oportunidade rara no calendário brasileiro para corrigir problemas e aprofundar suas ideias, embora o elenco não tenha recebido todas as contratações desejadas durante o intervalo.

O período sem partidas oficiais colocou Eduardo Domínguez diante de uma espécie de segunda pré-temporada. O Atlético encerrou o primeiro semestre ainda em processo de adaptação ao treinador, que chegou ao clube no fim de fevereiro. Agora, com mais tempo para trabalhar comportamentos coletivos, o argentino será cobrado por uma equipe que mostre maior controle dos jogos.

Pausa aumentou a responsabilidade de Eduardo Domínguez

A interrupção do Campeonato Brasileiro durante a Copa do Mundo ofereceu mais de 40 dias sem partidas oficiais aos clubes da Série A. No caso do Atlético, a decisão foi concentrar a preparação em Belo Horizonte, evitando viagens e amistosos de maior desgaste.

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O elenco realizou treinamentos na Cidade do Galo e dois jogos-treino. O primeiro foi contra a equipe sub-20 do próprio clube, na Arena MRV. Depois, o time profissional venceu o Betim por 3 a 1, com dois gols do atacante Mateo Cassierra e um de Reinier. Everson ainda defendeu um pênalti durante a atividade.

Esse cenário explica a cobrança feita por Marques. Durante a sequência normal da temporada, técnicos costumam ter pouco espaço para treinar. Viagens, recuperação física e partidas disputadas em intervalos curtos ocupam praticamente toda a rotina.

Eduardo Domínguez teve algo diferente. Além do descanso concedido aos jogadores, a comissão técnica contou com semanas para trabalhar posicionamento, saída de bola, pressão defensiva e movimentações ofensivas. Por isso, a expectativa não é apenas por um Atlético fisicamente recuperado, mas por um time capaz de demonstrar em campo o que foi desenvolvido nos treinamentos.

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O próprio Domínguez afirmou que o período ajudou os atletas a compreenderem melhor a forma como ele pretende jogar.

“Estamos entendendo muito melhor o que queremos fazer e como queremos jogar. As intenções que teremos dentro do campo. É importante nos conhecer melhor, ajustar e corrigir as situações que tínhamos que corrigir”, declarou o treinador após um dos jogos-treino.

Atlético deve manter base do primeiro semestre

Apesar do tempo disponível para ajustes, o torcedor provavelmente não verá uma formação completamente diferente na retomada. Os testes feitos por Domínguez indicaram a manutenção de boa parte da estrutura utilizada nos últimos compromissos antes da pausa.

Na atividade contra o Betim, o treinador escalou Everson, Natanael, Ruan Tressoldi, Lyanco e Renan Lodi na defesa. Maycon, Cissé, Bernard e Victor Hugo formaram o meio-campo, enquanto Cuello e Cassierra atuaram no ataque.

Com a bola, a equipe apresentou uma mudança de desenho. Natanael, Ruan Tressoldi e Lyanco formavam uma linha de três jogadores, enquanto Renan Lodi recebia liberdade para avançar pelo corredor esquerdo. Maycon atuava mais próximo dos defensores, iniciando a construção, e Cissé ocupava uma posição um pouco mais adiantada.

Bernard apareceu com frequência pelo lado esquerdo, enquanto Victor Hugo tentou ocupar os espaços entre as linhas adversárias. Cuello permaneceu mais aberto pela direita e Cassierra foi utilizado como referência na área.

A movimentação indica que a evolução esperada por Marques pode aparecer mais no comportamento da equipe do que em uma grande mudança de nomes. O Atlético deve voltar com uma escalação conhecida, mas com a obrigação de executar os movimentos com maior velocidade e precisão.

Saída de Junior Alonso obriga mudança na defesa

Uma das alterações mais importantes está no setor defensivo. Junior Alonso deixou o Atlético durante a pausa e abriu uma vaga que ainda não possui um substituto completamente consolidado.

Nos jogos-treino, Lyanco foi utilizado pelo lado esquerdo da defesa. O zagueiro já havia desempenhado diferentes funções no primeiro semestre e aparece como uma das principais opções de Domínguez para ocupar o espaço deixado pelo paraguaio.

Léo Duarte, contratado como reforço para a sequência da temporada, também poderia disputar a posição. O defensor, porém, sofreu uma lesão muscular na coxa direita durante um treinamento e iniciou tratamento no departamento médico.

Diante da baixa, Domínguez deve iniciar o segundo semestre com Lyanco entre os titulares. Ivan Román e Ruan Tressoldi também são alternativas para formar a defesa.

A reorganização do setor será um dos primeiros testes para a evolução tática cobrada por Marques. Alonso era um dos jogadores mais regulares do elenco e tinha papel importante tanto na marcação quanto no início das jogadas.

Falta de reforços limita mudanças profundas

A avaliação do ex-atacante também considera as dificuldades enfrentadas pelo treinador. O Atlético trabalhou durante a pausa, mas não recebeu todas as peças desejadas para reformular o time.

Por isso, Marques pondera que Domínguez teve tempo para desenvolver o elenco, mesmo sem contar com uma grande transformação promovida pelo mercado. A comissão precisou buscar soluções dentro do próprio grupo e avaliar atletas das categorias de base.

Jogadores como Cauã Soares, Kauã Pascini e Cissé receberam oportunidades nos testes. Reinier, Victor Hugo e Cassierra também tentaram ganhar espaço em uma equipe que ainda procura maior regularidade ofensiva.

A falta de várias contratações, no entanto, não elimina a exigência por melhora. O Atlético chega à retomada com jogadores experientes, opções em diferentes setores e um treinador que agora conhece melhor as características do elenco.

Domínguez encerrou primeiro semestre com 50% de aproveitamento

Treinador Eduardo Dominguez do Atlético
Foto: Pedro Souza / Atlético

Eduardo Domínguez assumiu o Atlético no fim de fevereiro, depois da saída de Jorge Sampaoli. O argentino chegou durante a disputa do Campeonato Mineiro e comandou a equipe no vice-campeonato estadual.

Antes da pausa para a Copa, o Galo também garantiu classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. No Campeonato Brasileiro, encerrou a 18ª rodada na nona colocação.

O aproveitamento de Domínguez até aquele momento era de aproximadamente 50%. Os números mostram um trabalho ainda irregular, com boas atuações alternadas por partidas nas quais o Atlético teve dificuldade para criar oportunidades ou manter o controle depois de abrir vantagem.

A pausa, portanto, funcionou como uma oportunidade para corrigir justamente essa falta de constância. Domínguez não precisou apenas recuperar fisicamente os jogadores. Ele pôde repetir movimentos, testar formações e estabelecer funções mais claras.

Atlético volta contra o Bahia na Arena MRV

O primeiro compromisso oficial do Atlético depois da pausa será contra o Bahia, na terça-feira, 21 de julho, na Arena MRV, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. O confronto encerrará o primeiro turno do Galo na competição.

O jogo servirá como primeira resposta às expectativas criadas durante a intertemporada. Mais do que analisar apenas o placar, o torcedor observará se a equipe consegue trocar passes com maior segurança, ocupar melhor os espaços e diminuir a distância entre defesa, meio-campo e ataque.

A cobrança de Marques passa justamente por esses pontos. Depois de um intervalo tão longo, não basta retornar com disposição. O Atlético precisa apresentar sinais de que aproveitou o período sem jogos.

Domínguez reconhece que a expectativa é grande. Segundo o treinador, os jogadores demonstraram comprometimento nos trabalhos e estão mais convencidos sobre a proposta que será utilizada no segundo semestre.

Para Marques, chegou o momento de transformar esse discurso em desempenho. O Atlético não precisa aparecer completamente pronto logo na primeira partida, mas terá de mostrar uma equipe mais técnica, organizada e consciente do que pretende fazer dentro de campo.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto. Tem experiência em jornalismo esportivo, cidades e economia. Passou pelo setor público em assessoria de comunicação e assessoria de imprensa.