A humilhante goleada de 4 a 0 sofrida para o Flamengo transformou o vice-presidente de futebol do Atlético-MG, Paulo Bracks, no alvo número um da crise alvinegra. Nesta terça-feira (28), a principal torcida organizada do clube (Galoucura) exigiu a saída imediata do executivo, apontando falhas graves na montagem do elenco do Atlético-MG e a condução desastrosa da iminente saída do atacante Hulk.
O poder absoluto e a cobrança proporcional
Paulo Bracks desembarcou na Cidade do Galo em janeiro de 2025. Contratado inicialmente como Chief Sporting Officer (CSO), ele ascendeu rapidamente ao cargo de VP de Futebol. Após a saída de Victor Bagy, o executivo centralizou de vez o poder de decisão sobre o departamento profissional, as categorias de base e o futebol feminino do Atlético-MG.
O currículo que o credenciou a receber a chave do cofre da SAF possui passagens de impacto prático:
- Internacional: Venda recorde de Yuri Alberto e a criação do setor de ciência de dados.
- América-MG: Semifinal da Copa do Brasil (2020) e acesso à elite nacional.
- Vasco e Santos: Projetos de acesso à Série A do Brasileirão.
Contudo, a alta exposição cobra um preço asfixiante. Comandando ativamente quase 30 movimentações de mercado, Bracks assumiu a autoria intelectual do elenco do Atlético-MG. Quando a engrenagem tática falhou de forma vexatória, ele inevitavelmente se tornou o rosto da crise.
Planejamento incompleto e a ruptura com o ídolo

O manifesto divulgado pela Galoucura não é movido apenas pelo placar elástico, mas por um diagnóstico de ineficiência corporativa. O dirigente liderou a chegada de sete reforços na última janela, mas a diretoria precisou admitir publicamente que o grupo segue carente de zagueiros e volantes urgentes no Atlético-MG. Para o torcedor, soou como uma confissão clara de planejamento falho.
O verdadeiro estopim para o colapso, no entanto, atende pelo nome de Hulk. Em janeiro, Bracks garantiu aos microfones que ninguém no clube estava aposentando o camisa 7. Três meses depois, a realidade o desmentiu. O ídolo entrou em rota de colisão, sentiu-se desprestigiado pela falta de um projeto puramente esportivo e agora negocia abertamente sua transferência para o Fluminense.
O executivo como para-raios da crise
A temperatura nas arquibancadas da Arena MRV reflete a frieza do ecossistema bilionário do futebol atual. Em uma SAF estruturada, possuir um elenco taticamente desequilibrado somado ao ruído irreparável com a maior estrela da companhia cria um ambiente insustentável para o Atlético-MG.
Paulo Bracks virou a vidraça de um problema que, no fundo, transcende a sua figura. Com a torcida cantando contra sua permanência e o time precisando desesperadamente de sobrevivência no Campeonato Brasileiro, a permanência do homem forte do futebol eclipsou até mesmo a prancheta do técnico Eduardo Domínguez. No mercado da bola, quem centraliza a caneta sempre acaba centralizando a culpa. Além disso, a crise envolvendo o Atlético-MG está longe de terminar.
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