O Atlético-MG entra nessa reta decisiva de abril com uma equação complexa que deve ditar o ritmo do elenco na janela de julho. Gustavo Scarpa e Igor Gomes vivem realidades distintas na Cidade do Galo, mas ambos têm algo em comum: o destino de suas carreiras no clube está diretamente atrelado à campanha alvinegra na Copa Sul-Americana.
Os bastidores indicam que o desempenho esportivo nas próximas rodadas será o termômetro para decidir quem fica e quem pode gerar caixa no meio do ano. Com a derrota na estreia para o Puerto Cabello e a lanterna momentânea do Grupo B, o Galo joga sob uma pressão que vai além das quatro linhas, principalmente porque o Atlético precisa mostrar reação imediata.
Sul-Americana: O termômetro estratégico do Galo
Para o CEO Pedro Daniel, o foco principal do Atlético em 2026 é o Brasileirão, mas a Sul-Americana virou uma questão de honra e de finanças. O trauma do vice-campeonato em 2025 ainda ecoa internamente, e uma queda precoce na fase de grupos forçaria o clube a antecipar ajustes de rota. Além disso, a participação do Atlético na Sul-Americana será determinante para o planejamento financeiro do Galo.
- Cenário de Avanço: Se o time reagir e buscar a liderança, a prioridade será manter a profundidade do elenco para suportar o calendário.
- Cenário de Queda: Se a campanha naufragar, o Atlético deve abrir espaço para negociações, visando reduzir a folha e buscar perfis mais funcionais para o segundo semestre.
O dilema de Scarpa e a situação contratual de Igor Gomes

No caso de Gustavo Scarpa, o Galo detém um ativo com mercado internacional e contrato até o fim de 2027. Avaliado em € 5 milhões, Scarpa vive um momento ambíguo: perdeu a titularidade absoluta para Eduardo Domínguez, mas mostrou que ainda é decisivo ao marcar na vitória sobre o Athletico-PR. Ele é o nome que pode gerar lucro imediato, mas sua saída deixaria um vácuo técnico difícil de preencher em meio às competições, principalmente devido à importância estratégica do Atlético na temporada.
Já Igor Gomes vive um cenário mais urgente. Com contrato apenas até 31 de dezembro de 2026 e sem avanços na renovação, o meia corre o risco de assinar um pré-contrato com outra equipe já em julho, o que pode afetar o grupo do Atlético negativamente.
O rendimento recente, com pouca minutagem sob o comando da comissão técnica, reforça a tese de que Igor é o candidato número um a deixar o clube caso a Sul-Americana não apresente um horizonte de muitos jogos. Ou seja, a situação de permanência no elenco está muito relacionada ao desempenho do Atlético.
O que esperar da janela de julho?
O Atlético se posiciona de forma estratégica. Manter Scarpa faz sentido em um cenário de protagonismo continental. Por outro lado, a “Era SAF” do Galo exige responsabilidade: se o retorno esportivo na Sul-Americana não vier, o mercado será a solução para equilibrar as contas e oxigenar o grupo comandado por Eduardo Domínguez. Inclusive, o Atlético pode aproveitar a janela de julho para inovar na estrutura do elenco.
O Galo volta a campo para tentar a reabilitação no torneio continental, sabendo que cada ponto conquistado ajuda a segurar seus principais nomes ou, em caso de erro, acelera o adeus de peças importantes do elenco atual, como já ocorreu anteriormente com o Atlético.