O Atlético-MG entrou em 2026 com um problema típico de clubes que montam elencos caros para brigar no topo da tabela: o vencimento iminente de contratos importantes. Cinco peças do plantel alvinegro — misturando titulares absolutos, ídolos e joias da base — estão com os dias contados no papel.
A forma como a diretoria agir nas próximas semanas definirá não apenas a competitividade do time de Eduardo Domínguez no segundo semestre, mas o tamanho do prejuízo ou lucro nos cofres da SAF.
O perigo imediato: A janela do meio do ano
Os dois casos mais urgentes na mesa da diretoria estouram logo entre junho e julho, exigindo decisões rápidas antes que o mercado internacional faça o seu movimento:
Ruan (Vínculo até 30/06): Emprestado pelo Sassuolo (Itália), o zagueiro possui uma opção de compra estimada em € 3,5 milhões (cerca de R$ 20 milhões), além de gatilhos que podem obrigar a aquisição.
O investimento só faz sentido se Ruan terminar o semestre como um titular incontestável. Comprar um “quarto zagueiro” por esse valor é um erro primário de alocação de recursos.

Mateus Iseppe (Vínculo até 31/07): A joia da base é o clássico caso de blindagem patrimonial obrigatória. Deixar um talento jovem entrar nos últimos meses de contrato é abrir a porta para o assédio europeu e perdê-lo de graça. A renovação aqui é prioridade máxima para garantir margem de revenda futura.
O xadrez de dezembro no Galo: Renovação vs. Sucessão
Para o trio que tem vínculo até o dia 31 de dezembro, a janela para a assinatura de um pré-contrato legal (e saída a custo zero) abre já no dia 1º de julho. Ou seja, o Galo tem menos de quatro meses para definir essas vidas:
Júnior Alonso: O zagueiro paraguaio entrega liderança e imposição física, mas a sua idade exige cautela. O caminho ideal é uma extensão de curto prazo (um ano), atrelada ao vigor físico do atleta, para evitar contratos longos de alto risco.
Igor Gomes: Renovar com o meia não significa necessariamente “aumentar o salário”. Significa estender o prazo do vínculo para não perder o ativo no mercado. Sem renovação, o clube perde o controle da negociação e qualquer chance de faturar com uma taxa de transferência.
Hulk: O caso mais complexo da Cidade do Galo. Com o ídolo já tendo sinalizado publicamente o desejo de buscar novos ares (e até ensaiado uma rescisão amigável em janeiro), a pergunta muda.
O foco deixa de ser “renovar a qualquer custo” e passa a ser “planejar a sucessão”. A diretoria precisa extrair o máximo do camisa 7 até dezembro, enquanto prepara o terreno no mercado para não acordar sem um protagonista em 2027.
A lista de pendências do Atlético-MG é uma aula prática sobre como a inércia custa caro. Se a diretoria demorar para agir, ela não perde apenas o jogador; ela perde o controle da negociação.