HomeEsportesAtléticoLyanco volta após lesão grave para reforçar Atlético-MG na final contra o...

Lyanco volta após lesão grave para reforçar Atlético-MG na final contra o Cruzeiro?

Lyanco voltou ao Atlético-MG em tempo recorde. Quatro meses após romper o tendão de Aquiles — lesão que costuma encerrar temporadas — o zagueiro foi liberado pelo departamento médico e treina com o elenco na Cidade do Galo. A tendência é que seja relacionado para a final do Campeonato Mineiro contra o Cruzeiro, domingo (8), às 18h, no Mineirão.

A recuperação impressiona até médicos do futebol. Lyanco se lesionou em outubro de 2025, na partida contra o Sport, quando foi submetido a cirurgia no tornozelo esquerdo. O prazo estimado para retorno a jogos de alta intensidade: seis a oito meses. Ele conseguiu em quatro. O segredo foi cronograma individual rigoroso, uso de esteira antigravitacional e transição física gradual antes do contato com o grupo.

Mas “liberado” não significa “titular”. O ge aponta cautela: Lyanco precisa aprimorar condicionamento após trabalhos isolados. Já o No Ataque indica que Eduardo Domínguez ganhou opção real — o que abre três cenários para a final: relacionado no banco como alternativa de emergência; titular se provar ritmo nos treinos finais; ou protegido para evitar recaída em jogo único de alta tensão.

A decisão é complexa. Tendão de Aquiles exige pragmatismo: o atleta pode estar clinicamente apto, mas “curto” de explosão e tempo de bola. Em final de campeonato, contra o maior rival, arriscar um jogador que não completa 90 minutos há quatro meses pode ser coragem ou imprudência — a linha é tênue.

Por que Lyanco muda o peso do clássico?

Fotos: Pedro Souza/Galo

O Atlético-MG vive crise defensiva. Em 14 jogos em 2026, o time passou apenas duas vezes sem sofrer gols. As críticas ao sistema recaem sobre falta de liderança, organização e agressividade nos duelos — exatamente o perfil de Lyanco. Ele impõe presença física, comanda a linha e eleva o nível de intensidade defensiva.

Domínguez tem opções: Vitor Hugo, Júnior Alonso, Ruan Tressoldi, Iván Román e Vitão. Nenhum, porém, combina experiência em finais com o perfil de “zagueiro líder” que Lyanco carrega. Sua presença no banco já força o Cruzeiro a planejar dois cenários táticos. Sua titularidade mudaria a estratégia ofensiva da Raposa.

O contexto amplia a pressão. Esta é a 20ª final consecutiva do Atlético no Mineiro — sequência histórica que pesa como obrigação. O heptacampeonato está em jogo. Para o Cruzeiro, é oportunidade de ouro: bater o rival na vitrine máxima do estado, no Mineirão lotado, com troféu em disputa.

A final única, confirmada pela FMF, elimina margem de erro. Não há jogo de volta para corrigir escolhas. Se Lyanco entrar e aguentar, Domínguez será celebrado como ousado. Se quebrar fisicamente ou cometer erro de ritmo, a culpa recairá sobre precipitação.

A análise tática favorece a cautela, mas o emocional pede o nome. O Atlético precisa de segurança defensiva e Lyanco é símbolo disso. A torcida quer vê-lo em campo. A comissão técnica deve equilibrar desejo e lógica médica. A decisão final sai nos treinos de quinta e sexta.

O que está em jogo vai além do Mineiro 2026. Lyanco precisa recuperar valor de mercado após lesão grave. O Atlético precisa confirmar que sua estrutura médica é capaz de devolver atletas melhores — não apenas recuperados. E o clássico precisa de um herói improvável para entrar na história. Os três interesses se cruzam no mesmo jogador, no mesmo jogo, na mesma decisão.

Marcos Amaral
Marcos Amaral
Jornalista formado pela Estácio de Sá, cobre futebol por paixão e profissão. Jogador amador, é especialista na cobertura do Flamengo, Palmeiras, Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Corinthians. Há mais de 10 anos acompanha de perto o futebol nacional.