A sirene vermelha está tocando na Cidade do Galo. O Atlético-MG acaba de sofrer uma derrota pesada nos tribunais e entrou em uma perigosa contagem regressiva fora das quatro linhas. A FIFA condenou o clube mineiro a pagar US$ 1,6 milhão (cerca de R$ 8,2 milhões) ao Palestino, do Chile, referente à compra do zagueiro Iván Román.
A decisão da entidade máxima do futebol não deixa margem para manobras: o Galo tem um prazo inflexível de 45 dias para quitar a dívida. Caso o dinheiro não caia na conta dos chilenos, o clube sofrerá um transfer ban, punição que proíbe o registro de qualquer novo jogador, paralisando completamente o departamento de futebol alvinegro.
O acordo original pelo zagueiro Iván Román previa o pagamento de US$ 1,5 milhão por 50% dos direitos econômicos, fatiados em três parcelas (com vencimentos em 2025 e 2026). No entanto, a inadimplência atleticana irritou profundamente a diretoria do Palestino.
Os chilenos acionaram a FIFA e ganharam a causa com “juros e correção”. O jornal La Tercera detalhou que a entidade reconheceu a cobrança com aceleração das parcelas pendentes, além da aplicação de juros e multas contratuais. O resultado? A dívida inflou e o Palestino comemorou publicamente a vitória jurídica, deixando claro que vai cobrar cada centavo.
O Fantasma do “Transfer Ban”
O prazo de 45 dias é a fronteira entre a crise financeira e o desastre esportivo. O transfer ban é a arma letal da FIFA para forçar pagamentos. Se o Atlético-MG não regularizar a situação, ficará impedido de inscrever atletas em âmbito nacional e internacional por até três janelas de transferências.
Na prática, a diretoria até poderia assinar contratos com novos reforços, mas nenhum deles teria o nome publicado no BID (Boletim Informativo Diário) da CBF. Sem registro, não há jogo.
O Efeito Dominó: A Conta Oculta do Mercado
Mesmo que o Atlético-MG encontre os R$ 8,2 milhões a tempo e evite a sanção esportiva, o estrago institucional já está feito. No mercado da bola, credibilidade é a moeda mais cara.
A notícia da condenação acende um alerta global. Em futuras negociações internacionais, clubes e agentes passarão a olhar o Galo com desconfiança. Isso significa que o clube será forçado a aceitar exigências muito mais duras, como pagamentos antecipados maiores, envolvimento de bancos intermediários e multas rescisórias abusivas, encarecendo qualquer operação futura.
Esse tipo de condenação é o pior inimigo de um clube que tem a ambição de dominar a América do Sul. A dívida com o Palestino não mexe apenas no fluxo de caixa da SAF alvinegra; ela arranha diretamente a imagem do projeto.