O caso de Mateus Iseppe, promessa de 19 anos do Atlético-MG, trouxe à tona um debate comum em grandes clubes: até onde vai o limite entre a tolerância com o jovem e o rigor profissional? Afastado por cerca de 10 dias após se atrasar para um treino comandado por Jorge Sampaoli, o meia recebeu uma multa pesada e foi obrigado a treinar em separado antes de ser reintegrado ao grupo principal nesta semana.
A medida, embora vista como dura por parte da torcida, reflete o código de conduta implacável de Sampaoli. Para o técnico argentino, a pontualidade e a rotina são pilares inegociáveis. Ao punir Iseppe publicamente, o Atlético-MG enviou um recado direto não apenas ao jovem, mas a todo o elenco: a hierarquia e o respeito aos horários valem tanto quanto o talento com a bola nos pés.
Por que punir uma joia? O xadrez do vestiário do Atlético-MG
Punir um ativo valioso como Iseppe é um jogo de risco calculado. Nos bastidores da Cidade do Galo, a lógica de afastar e reintegrar segue três pilares fundamentais:

- Proteção da Hierarquia: Se um jovem comete uma infração e não é punido, o clube perde autoridade perante os veteranos. A punição serve como prova de que a regra é universal.
- Fim do “Efeito Cascata”: O vestiário é um ambiente contagioso. Permitir pequenos atrasos hoje pode gerar desinteresse tático amanhã.
- Transição Pedagógica: Diferente da base, onde o erro é tratado de forma educativa, o profissional é uma empresa de alta performance. O “choque de realidade” visa acelerar a maturação do atleta.
O padrão não é inédito: em 2018, o atacante Alerrandro passou por processo semelhante antes de ser reincorporado. O objetivo do Galo é claro: corrigir o comportamento sem “queimar” o jogador ou perder o investimento financeiro.
O impacto na carreira: O rótulo que o mercado monitora
A “indisciplina” é uma das palavras que mais assustam olheiros e diretores de futebol ao redor do mundo. Mesmo que o erro tenha sido pontual, o afastamento de Iseppe gera ruídos no mercado de transferências. Scoutings internacionais leem esses episódios como um “risco de gestão”, o que pode influenciar em futuras convocações ou propostas da Europa.
Por outro lado, a reintegração rápida sinaliza que o Atlético-MG ainda aposta alto no jogador. Se a resposta de Iseppe for positiva — com maior entrega nos treinos e alinhamento com a comissão técnica —, ele pode sair do episódio como um profissional mais confiável e resiliente.