O clássico deste domingo na Arena MRV não foi decidido apenas na prancheta. Foi decidido no fígado. O Atlético-MG venceu o Cruzeiro por 2 a 1, de virada, em um jogo que teve roteiro de cinema: provocação com copo d’água, polêmica de arbitragem, “lei do ex” reversa e, claro, a assinatura de um super-herói.
O placar encerra o jejum do Galo no ano (eram quatro empates) e dá a Sampaoli sua primeira vitória em 2026. Para o Cruzeiro de Tite, fica a lição amarga: controlar o jogo por 45 minutos não basta quando se acorda o gigante do outro lado.
O Primeiro Tempo: A Ilusão Celeste e a Provocação
Nos primeiros 45 minutos, o plano de Tite funcionou. O Cruzeiro silenciou a Arena, controlou o meio-campo e achou o gol.
- O Gol: Aos 25, Kaio Jorge mostrou frieza de matador, encobrindo Everson. 1 a 0.
- O Gesto: Na comemoração, Kaio bebeu água de um copo atirado pela torcida rival. O gesto, lido como deboche, serviu de gasolina para um time que parecia apático.
O Ponto de Virada: O “Pênalti” que Mudou o Espírito
O momento chave não foi um gol, mas um apito silencioso. Ainda no primeiro tempo, Kaiki derrubou Bernard na área. O árbitro mandou seguir e o VAR não chamou. A comentarista de arbitragem Renata Ruel (ESPN) cravou: “Pênalti claríssimo”. A sensação de injustiça transformou o vestiário do Galo. O time que voltou para o segundo tempo não queria apenas jogar; queria vingança esportiva. Sampaoli, mestre em canalizar o caos, adiantou as linhas e sufocou.
O Segundo Tempo: O Rolo Compressor e a Pintura

A etapa final foi um monólogo de imposição física e mental do Atlético.
- O Empate: Aos 11, Dudu (endiabrado pela esquerda) cruzou e Bernard, o menino da casa, escorou. 1 a 1. A Arena explodiu.
- A Virada de Gênio: Aos 23, a hierarquia pesou. Hulk recebeu na entrada da área. Jonathan Jesus, jovem zagueiro do Cruzeiro, tentou cercar, mas tomou um drible seco. O chute foi no ângulo de Cássio. Um golaço que só quem tem estrela faz. 2 a 1.
O Drama Final: Arroyo e a Bola do Jogo
O futebol é cruel. Já nos acréscimos, o Cruzeiro teve a chance de ouro. Arroyo, sozinho na pequena área, isolou a bola que daria o empate. Foi o retrato de um time que sentiu o golpe emocional da virada e perdeu a lucidez na hora H.
Análise Moon BH: O Peso da Camisa (e do Craque) O Cruzeiro foi melhor taticamente enquanto o jogo era “frio”. Mas clássico é quente. Quando a temperatura subiu, o Atlético de Sampaoli se sentiu em casa.O Galo venceu porque entendeu que precisava transformar a partida em uma guerra de divididas e imposição. E, no fim do dia, ter Hulk faz diferença. Enquanto o Cruzeiro busca sua nova identidade milionária, o Atlético tem um ídolo que resolve quando a tática falha. A primeira vitória de 2026 veio para lembrar: na Arena MRV, quem dita a regra ainda é o Galo.