O Atlético-MG tomou uma decisão drástica para tentar recuperar um dos maiores investimentos de sua história recente. A diretoria alvinegra abriu negociações para emprestar o atacante Júnior Santos ao Corinthians e, para viabilizar o acordo, sinalizou que aceita arcar com cerca de 50% dos salários do jogador durante o período de cessão. A movimentação é um reconhecimento silencioso de que a aposta de US$ 8 milhões (cerca de R$ 48 milhões) feita em 2024 não deu o retorno esperado na última temporada.
O Galo tenta agora “recalibrar” a rota, usando a vitrine de um rival nacional para ver se o ativo recupera seu valor de mercado.
O negócio está na mesa, mas ainda não foi assinado. O Corinthians, que busca atacantes de velocidade a pedido do técnico Dorival Júnior, vê com bons olhos a chegada de um jogador “pronto” com custo reduzido.
No entanto, o Timão adota cautela extrema. Antes de bater o martelo, o clube paulista avalia minuciosamente a condição clínica do atleta e a aprovação final do treinador, sabendo que está prestes a receber um jogador que passou mais tempo no departamento médico do que em campo no último ano.
2025: O Ano para Esquecer no Atlético-MG
Para entender por que o Atlético aceita pagar para o jogador atuar em outro lugar, é preciso olhar para os números de 2025. Júnior Santos chegou com status de artilheiro da Libertadores, mas viveu um pesadelo em Belo Horizonte.
- Números Fracos: Foram apenas 29 jogos, 2 gols e 1 assistência na temporada passada.
- Drama Médico: O atacante sofreu com lesões musculares e teve um problema grave no púbis, com ruptura do tendão adutor, que exigiu cirurgia. Seu último jogo oficial foi em setembro. O Atlético entende que, no ambiente atual de pressão da Arena MRV, a recuperação técnica do jogador seria muito mais difícil.
A Engenharia do Corinthians

Para o Corinthians, a operação é vista como uma “oportunidade de mercado” com risco calculado. O clube precisa enxugar a folha para 2026, mas necessita de reforços de peso.
- O Ganho: Ter um atacante de força e velocidade, características que Dorival pede, pagando apenas metade do que ele custa.
- O Risco: Apostar em um atleta de 31 anos (em 2026) que vem de inatividade longa. Se o corpo não responder, mesmo pagando “meio salário”, o custo-benefício será desastroso.
O Que Falta para Fechar?
A negociação depende agora do ajuste fino financeiro e do aval médico. Há divergências nos bastidores sobre o percentual exato da divisão salarial, mas a disposição do Atlético em compor o pagamento é o grande facilitador. Com contrato no Galo até o fim de 2028, Júnior Santos sabe que 2026 é sua “última chance” de provar que ainda é o jogador decisivo dos tempos de Botafogo. Se for para o Corinthians, terá a Fiel como juíza; se ficar, terá que reconquistar uma torcida mineira que já perdeu a paciência.