A novela envolvendo a possível transferência de Rony para o Santos chegou ao fim — pelo menos neste momento — com um desfecho de permanência. O Peixe decidiu recuar e esfriar as tratativas após ouvir do Atlético-MG que a proposta apresentada, na casa dos R$ 13 milhões, era insuficiente para tirar o atacante da Cidade do Galo.
A diretoria alvinegra foi pragmática: aceitar esse valor significaria assumir um prejuízo contábil gigantesco em relação ao investimento feito, além de entregar um titular a um rival nacional por preço de “liquidação”. Nos bastidores, o Atlético mantém a pedida em outro patamar: cerca de € 4 milhões fixos (R$ 26 milhões) mais € 1 milhão em metas, totalizando um pacote potencial de R$ 32,5 milhões.
A distância entre o que o Santos ofereceu e o que o Galo quer é, na prática, um abismo de mais de 50%. O clube mineiro entende a necessidade de reduzir a folha salarial — Rony possui vencimentos mensais estimados acima de R$ 1 milhão —, mas se recusa a validar uma operação que desvalorize tanto o ativo.
Com o recuo santista, Rony segue integrado ao elenco de 2026, sendo visto agora como um “reforço interno” imediato, a menos que uma nova proposta de outro clube atinja a régua financeira estabelecida pela SAF.
A Matemática do Prejuízo no Atlético-MG
A resistência do Atlético-MG não é teimosia, é cálculo. O clube investiu pesado para tirar Rony do Palmeiras em 2025. O ge detalhou na época que a operação custou cerca de € 6,5 milhões (parcelados em três anos).

- A Conta: Vender agora por R$ 13 milhões (aprox. € 2 milhões) seria recuperar menos de um terço do valor pago há apenas um ano.
- O Contrato: Com vínculo até o fim de 2027, o Atlético prefere apostar que o jogador pode render em campo ou se valorizar novamente do que realizar esse prejuízo “a frio” no balanço de janeiro.
O Teto do Santos e a Venda de Guilherme
O Santos tentou fazer uma engenharia financeira baseada no seu próprio caixa. O clube paulista planejava usar o dinheiro da venda de Guilherme ao Houston Dynamo (cerca de US$ 2,1 milhões ou R$ 11 milhões) como base para a oferta por Rony.
A estratégia do Peixe era clara: Buscar um substituto de impacto para a vaga de Guilherme. Pagar um valor de transferência baixo, compensando no salário do atleta. No entanto, o Santos esbarrou na sua própria política de austeridade e na recusa do Galo em subsidiar a reformulação do rival aceitando um valor muito abaixo do mercado.