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Treinador é demitido após primeiro jogo na Copa do Mundo e expõe crise no futebol

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Sabri Lamouchi virou o primeiro grande nome a cair na Copa do Mundo de 2026. O treinador foi demitido pela Tunísia nesta segunda-feira, 15 de junho, um dia depois da goleada por 5 a 1 para a Suécia, na estreia das Águias de Cartago no Grupo F.

A informação havia sido antecipada pelo jornalista Romain Molina e depois foi confirmada pela Federação Tunisiana de Futebol. Em comunicado, a entidade informou que chegou a um acordo para encerrar o trabalho do técnico e que prepara a nomeação de Mondher Kebaier como interino para a sequência do torneio.

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A decisão é drástica, mas não surgiu apenas pelo placar. A derrota no Estádio de Monterrey, em Guadalupe, escancarou problemas defensivos, baixa resposta emocional e uma pressão que já vinha crescendo antes da estreia. Lamouchi havia assumido a seleção em janeiro, com contrato pensado para um ciclo mais longo, mas resistiu apenas cinco partidas no cargo.

O revés diante da Suécia foi pesado desde o início. Yasin Ayari abriu o placar após erro defensivo tunisiano, Alexander Isak ampliou em contra-ataque e Omar Rekik ainda diminuiu de cabeça. No segundo tempo, porém, o time europeu retomou o controle, marcou com Viktor Gyokeres, Mattias Svanberg e novamente Ayari, fechando uma goleada que deixou a seleção africana com saldo de gols muito negativo logo na primeira rodada.

Queda de Lamouchi começou antes da estreia

Foto: Julio Cesar AGUILAR / AFP
Foto: Julio Cesar AGUILAR / AFP

A goleada para a Suécia foi o ponto final, mas a pressão sobre o treinador vinha de antes. A Tunísia já havia perdido por 5 a 0 para a Bélgica em amistoso preparatório, resultado que gerou forte cobrança local e colocou em dúvida a capacidade de reação da equipe antes mesmo da Copa.

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Lamouchi chegou ao comando em janeiro, após a saída de Sami Trabelsi. O ex-meio-campista da seleção francesa foi escolhido para conduzir o país no Mundial, carregando no currículo passagens por Costa do Marfim, Nottingham Forest, Rennes, Al-Duhail e Cardiff City.

A aposta tinha lógica. Ele conhecia torneios de seleções, já havia disputado uma Copa como treinador em 2014, pela Costa do Marfim, e tinha origem familiar tunisiana. O problema foi a resposta em campo. Em poucos meses, a equipe não encontrou padrão competitivo, acumulou atuações frágeis e chegou ao Mundial sem dar sinais de estabilidade.

Contra a Suécia, os problemas ficaram visíveis. A equipe perdeu duelos, falhou na saída de bola, cedeu transições rápidas e não conseguiu sustentar o jogo depois de diminuir o placar. O resultado não foi tratado pela federação como acidente, mas como sintoma de um trabalho que perdeu sustentação interna.

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Decisão durante a Copa mostra tamanho da crise

Demitir um técnico no meio de uma Copa é uma medida extrema. Fazer isso depois de apenas uma partida mostra que a relação entre comando, elenco e federação já estava deteriorada ou, no mínimo, sem confiança suficiente para atravessar o torneio.

A Tunísia ainda tem chances matemáticas de classificação. O formato com 48 seleções permite que os dois primeiros de cada grupo avancem, além dos melhores terceiros colocados. Mesmo assim, começar com derrota por quatro gols de diferença cria uma situação muito difícil, porque o saldo pode pesar na briga por vaga.

O grupo também não ajuda. A chave tem Holanda, Japão, Suécia e Tunísia. Na outra partida da primeira rodada, holandeses e japoneses empataram por 2 a 2, resultado que deixou os suecos isolados na liderança. Para a equipe africana, a margem de erro ficou quase inexistente.

A troca no comando tenta produzir uma resposta imediata. Mondher Kebaier, que já dirigiu a seleção entre 2019 e 2022, aparece como nome natural para assumir de forma interina. Ele conhece a estrutura da federação, parte do grupo e a pressão local. O desafio será reorganizar a equipe em poucos dias, sem tempo real de treino.

O que muda com Mondher Kebaier

Caso Kebaier seja confirmado, a tendência é que a Tunísia busque uma postura mais pragmática contra o Japão. Depois de sofrer cinco gols na estreia, a prioridade deve ser reduzir espaços, proteger melhor a entrada da área e evitar que o adversário encontre transições com facilidade.

A seleção japonesa estreou bem contra a Holanda, mostrou velocidade, organização e capacidade de atacar pelos lados. Isso torna a próxima partida ainda mais perigosa para uma equipe que acabou de trocar de técnico. O novo comando não terá tempo para mudar tudo, mas pode ajustar escolhas, comportamento defensivo e estado emocional.

A principal alteração pode estar no meio-campo. Contra a Suécia, a equipe africana sofreu para pressionar e também para proteger a defesa. Quando tentava sair, era vulnerável ao primeiro erro. Quando recuava, cedia campo demais. O interino terá de escolher se fecha mais o time ou se tenta competir com linhas médias, evitando ficar preso perto da própria área.

Há também o lado psicológico. Uma goleada em estreia de Copa pode desmontar um grupo. A demissão do treinador pode ter dois efeitos diferentes: funcionar como ruptura para tirar peso do elenco ou aumentar a percepção de caos. A resposta contra o Japão vai indicar qual leitura prevalece.

Caso vira alerta para outras seleções

A queda de Lamouchi também serve como alerta para outras equipes que chegam à Copa com trabalhos recentes ou instáveis. Em torneios curtos, uma estreia ruim pode mudar tudo. No novo formato, há mais seleções e mais chances de classificação, mas a pressão pública continua imensa.

A Tunísia decidiu agir rápido porque entendeu que a continuidade representava risco maior. A federação preferiu romper o trabalho a tentar recuperar o treinador depois de uma goleada. É uma escolha incomum, mas não completamente inexplicável diante do contexto.

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Anna Millard
Anna Millard
Jornalista pela Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP, é apaixonada por contar histórias e conhecer pessoas. Tem ampla experiência em jornalismo esportivo e passou pelo setor público e em assessoria de imprensa.

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