Minas Gerais registrou um saldo positivo na abertura de novas empresas em 2026, mas o crescimento esconde uma forte assimetria entre os principais setores da economia. De janeiro a setembro, o estado contabilizou 91.526 novos negócios constituídos, uma alta de 4,11% sobre os 87.912 registrados no mesmo período de 2025.
Contudo, a fotografia dos dados da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg) revela que a expansão não foi pulverizada: todo o aumento veio exclusivamente do setor de serviços.
Enquanto as atividades de serviços registraram 4.047 novas constituições a mais do que no ano passado, o comércio e a indústria, somados, tiveram 433 aberturas a menos. O avanço do setor terciário foi o único responsável por compensar o encolhimento dos demais e ainda garantir o saldo positivo de 3.614 constituições adicionais na comparação anual. O levantamento da Jucemg não inclui os Microempreendedores Individuais (MEIs), que possuem registro direto no portal do governo federal.
O peso dos serviços na economia mineira
O balanço de aberturas entre janeiro e setembro evidencia como os serviços passaram a dominar o ambiente de formalização de negócios no estado:
- Serviços: 69.424 novas empresas (alta de 6,19%, com 4.047 registros a mais).
- Comércio: 18.127 novas empresas (queda de 2,10%, com 388 registros a menos).
- Indústria: 3.975 novas empresas (queda de 1,12%, com 45 registros a menos).
Com esse desempenho, o setor de serviços ampliou sua fatia no bolo estadual. Em 2025, a categoria representava 74,4% das empresas constituídas nos nove primeiros meses; agora, já responde por 75,9%. Na prática, mais de três em cada quatro empresas formalizadas na Junta Comercial mineira em 2026 pertencem a este segmento, que engloba desde tecnologia, consultoria e saúde até logística e educação.
O que a queda no comércio e indústria significa?
A retração de 2,1% nas aberturas do comércio e de 1,1% na indústria exige uma leitura técnica. O indicador da Jucemg mede apenas a quantidade de novos CNPJs (exceto MEI) constituídos. Ele não significa, obrigatoriamente, que esses setores estejam faturando menos, demitindo ou fechando fábricas e lojas.
Uma grande rede varejista ou planta industrial pode ampliar agressivamente suas vendas e contratações sem que isso exija a abertura de um novo CNPJ na Junta Comercial. Além disso, os números representam aberturas brutas, e não o saldo líquido (que descontaria as empresas encerradas no período).
Concentração em Belo Horizonte e Região Central

O mapa do empreendedorismo mineiro em 2026 mantém sua histórica concentração geográfica. A Região Central do estado registrou 42.713 constituições até setembro, o equivalente a 46,7% de todas as empresas abertas em Minas Gerais. Na sequência, aparecem o Sul de Minas (10.948) e o Triângulo (9.346).
Entre os municípios, Belo Horizonte lidera com ampla folga, respondendo sozinha por 27,5% dos novos registros. As cinco cidades com maior volume de formalizações no período foram:
- Belo Horizonte: 25.193
- Uberlândia: 5.460
- Contagem: 3.068
- Juiz de Fora: 2.510
- Montes Claros: 1.853
O cenário de 2026 deixa claro que, embora a manchete de “alta de 4,11%” transmita um otimismo geral, a tração de novos negócios em Minas Gerais tornou-se dependente da força e da diversificação do setor de serviços.


